Michele Contel

TEXTOS SOBRE A VIDA E SOBRE AMORES ACOMPANHADOS DE CAFÉ

Michele

Oi, eu sou a Michele! Sou escritora, tenho 27 anos e moro em São Paulo. Aqui você encontra um pouco de mim por meio das minhas palavras e todas as minhas mudanças, desde 2010. Espero que gostem.

@michelecontel

Carta para você (não) ler

Por um tempo, eu perguntava o porquê.

Por que as coisas aconteciam daquele jeito?
Por que você mudava tanto?
Por que tratava as pessoas que amava daquela forma?

Depois, eu não quis mais saber e me afastei como pude. Por um tempo, a minha presença ainda era necessária (sabe deus por quem), mas a minha atenção já era outra. Me fazia presente porque tinha que fazer, mas tudo o que eu mais queria era estar longe.

E então, depois de anos me sentindo sem voz, eu gritei.
Com um pretexto bobo, encontrei a força para dizer tudo o que sempre quis. E disse. Disse alto. Em meio a lágrimas. Com réplicas agressivas. Mas disse. Sai com um piano a menos nas minhas costas e com a tranquilidade de quem nunca mais precisaria voltar.



Mas veio a culpa. A culpa por me libertar. A culpa por desistir.
Da gente. De você.
De ter algo parecido com o que eu via em filmes e que secretamente eu sonhava com mais força do que sabia ter.

E então, eu tentei te consertar. Não com você, mas tentei te consertar em cada pessoa problemática que eu encontrei nos últimos 10 anos. Sem surpresa, encontrei muitos como você. A aparência física. Os gostos. O cheiro e, principalmente, a forma com que me tratava. Parecia que tinham feito o mesmo curso sobre como lidar comigo e como minar todo o amor que eu tinha por minha própria pessoa. Minaram minha confiança. Meu otimismo. Minha Felicidade.

E, de novo, eu desisti.

Da forma mais difícil eu aprendi que eu não poderia te mudar - nem a você e nem a ninguém. Que pessoas ruins não melhoram se não quiserem e que eu sou boa demais para alguns outros.

Aos poucos, aprendi a lidar com a culpa que ainda sentia por desistir. Por querer apostar em minha felicidade e pela felicidade de quem se sacrificou por mim, de alguma forma. Aprendi a lidar com a culpa que sentia por não querer mais saber. Por querer estar longe, de novo.

De vez em quando, ela aparece. Essa culpa. Mas sei que aos poucos ela muda de forma, ainda que demore um pouco. Ainda que eu tenha certeza de que ela não existe mais e perceba que ela só estava camuflada. Eu sei que logo ela muda e poderei dar outro nome a esse sentimento que vem do nada, mesmo quando eu acredito que ele passou.

Não vejo a hora de chamá-la de redenção.

Comentários

  1. Espero que esse sentimento ruim passe logo.
    Bom restante de semana!

    Jovem Jornalista
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    O blog está em HIATUS DE VERÃO até o dia 23 de fevereiro, mas comentarei nos blog amigos nesse período.

    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Que texto profundo! Enquanto lia lembrei de todos os relacionamentos que tive antes de encontrar a pessoa certa, a qual não precisei fazer nada a não ser ser eu mesma. Love is easy. Se não for, há algo aí quem está mascarado de amor.

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