Sometimes I feel like I don't have a partner...

Se tem um livro que eu adorei ler e eu não queria que acabasse, esse livro é o Scar Tissue, a biografia do Anthony Kiedis. Eu sempre curti a banda, mas nunca fui muito além das músicas tocadas na MTV (as que todo mundo conhecem). Porém, a vida me apresentou o maior fã de Red Hot Chili Peppers do mundo e conhecer a banda "direito" foi inevitável. E que bom! Passei a ouvir outras músicas, descobrir algumas favoritas (Venice Queen e This is The Place, por exemplo) e me apaixonar por álbuns específicos. Como não sou muito criativa com presentes e aproveitando o vício desse meu amigo pela banda, todos os presentes que eu comprava tinha a ver com os Chili Peppers. E foi assim que Scar Tissue entrou na minha vida. O livro é autobiográfico e é incrível.


Como eu disse ali em cima, o livro é sobre a vida dele e contada por ele, ou seja, tem todos os detalhes possíveis. É como se você estivesse sentado com o Anthony ouvindo suas histórias. Você se sente, de verdade, ao lado dele vivendo todas as experiências descritas pelo vocalista das dancinhas mais legais do mundo. Meu amigo me disse, uma vez, que o cantor se expõe tanto no livro que chegou a falar que se arrependeu de ter contado tanta coisa. Não é pra menos. Anthony conta muito sobre sua vida de sexo, drogas e rock 'n roll. E bota drogas nisso. 


AK teve seu primeiro contato com a maconha aos 11 anos - dada pelo seu pai, que naquela altura, trabalhava como traficante. Desde então o cantor passou a ser usuário das drogas e, é claro, sempre procurando algo cada vez mais forte. Aliás, este assunto toma quase que metade do livro, afinal, foi algo muito relevante em sua vida. As idas e vindas em clínicas de reabilitação, a relação conturbada com a heroína... Você vive cada minuto descrito na mesma intensidade com a qual ele narra. 

Sometimes I feel like my only friend 
Is the city I live in, the city of angels


É claro que a criação de uma das melhores bandas dessa geração teria um grande espaço em sua biografia, afinal, é um dos fatos mais importantes de sua vida. Anthony conta desde a formação (com o primeiro guitarrista, Hillel Slovak) até as brigas com os integrantes. Um episódio que me marcou bastante ao ler, foi a apresentação deles no SNL em que John Frusciante, visivelmente descontente (é engraçado ler sobre o descontentamento do outro pela ótica do AK) faz uma apresentação bizarra de Under The Bridge - uma música que Anthony diz que sempre é difícil pra ele. Conta também o quanto é dependente dos amigos e o quanto Flea e Frusciante são seus pilares - o Chad nunca foi citado como um verdadeiro amigo. "Apenas" como um fucking baterista. 

Lonely as I am, together we cry


Com o decorrer do livro, você vê o quão porra-louca Anthony é. Se o título é "A Vida Alucinada", pode crer que é isso mesmo. A maior parte dos fatos descritos eram de um Anthony chapado que se encontrava com o amigo que também chapava e eles faziam loucuras. Foi assim com Flea (embora o baixista mais incrível do mundo - Te amo, Flea! - usasse bem menos drogas) e com Hillel, o primeiro guitarrista da banda. Apesar das loucuras, Anthony se mostra uma pessoa extremamente sensível. E posso falar mais? Apaixonante - e não só no sentido que já conhecemos. Você se apaixona pela pessoa de AK, pelo quanto ele se dá em suas letras. Depois de ler o Scar Tissue você nunca mais ouve Red Hot Chili Peppers do mesmo jeito. É como se você ouvisse um Anthony contando sobre algo importante que aconteceu em sua vida.



Conforme o livro vai passando, você vê as situações e quando Anthony compõe tal música. De todas as citadas, nenhuma me arrepiou tanto como quando ele compôs Under The Bridge (que foi tão um desabafo que virou música por acaso). Em um de seus "recessos" com as drogas, Anthony se sentiu extremamente sozinho pelo fato dos outros companheiros de banda (aô, Frusciante!) se drogarem - então, passeando pelas ruas onde ele costumava se drogar, e se sentindo extremamente sozinho, veio a música. 


Under the bridge downtown/ Is where I drew some blood /Under the bridge downtown/ I could not get enough/ Under the bridge downtown / Forgot about my love / Under the bridge downtown / I gave my life away [Debaixo da ponte do centro da cidade/ É onde eu tirei um pouco de sangue / Debaixo da ponte do centro da cidade/ Eu não pude aguentar / Debaixo da ponte do centro da cidade / Esqueci do meu amor /Debaixo da ponte do centro da cidade/ Eu tirei a minha vida]

Anthony colocava tanto de seus sentimentos em canções que homenageava amigos que partiram através de suas letras. Hillel, o primeiro guitarrista - que morreu por uso excessivo de drogas - ganhou Knock Me Down e My Lovely Man (Mother's Milk, primeiro álbum com John Frusciante na guitarra, e Blood Sugar Sex Magik, respectivamente). Kurt Cobain ganhou Tearjeker, do One Hot Minute (sem Frusciante, com Navarro) e River Phoenix ganhou Transcending, também do One Hot Minute. A música da foto, Venice Queen, foi feita para uma amiga que morreu vítima de câncer.


Scar Tissue é uma prova de que Red Hot Chili Peppers é uma banda completa. São letras pessoais, com pedaços da pessoa que a compõe. Não são feitas para vender, são para deixá-los felizes, primeiramente. Mostra o quanto Flea é fofo, o quanto Frusciante é um artista de verdade, o quanto Chad é bom no que faz e, principalmente, o quão sensível, incrível e (repito) apaixonante Anthony Kiedis é. Se você curtir Red Hot, Leia. Se gostar de biografias, Leia. Se gostar do universo "sex, drugs and rock 'n roll", Leia. Se quiser um livro incrível pra você chamar de favorito, Leia também. Espero que tenha passado o tanto que gostei do livro através do post - que ficou enorme.