A polêmica da semana, na internet, é o corpo da modelo Izabel Goulart. Se você estava em uma bolha recentemente e perdeu todo o bafafá, a tia te explica: o portal da revista Marie Claire reproduziu uma foto do Instagram da Izabel Goulart com a legenda (ou título): "Exibindo corpo perfeito". BOOM, isso foi o suficiente para que a internet inteira falasse sobre um só assunto. Até aí, ok, mas o que me chamou a atenção - e incomodou bastante - foi a "demonização" do corpo da modelo. Não entendeu? Eu explico. 

A foto da discórdia
Ao invés dos comentadores (furiosos) dispararem contra a revista e a forma de abordagem dela, ou seja, glorificando um determinado tipo de corpo que, convenhamos, não é algo que qualquer pessoa consegue ter - nem eu que sou magrela e não engordo por nada conseguiria ter esse tipo de corpo - eles dispararam contra a modelo e seu tipo físico. "É anoréxica, certeza!", "Perfeito? Onde? Ela é doente!", "Certeza que vomita depois que faz qualquer refeição", "Modelo ~é tudo~ doente". Foram comentários como esses que me entristeceram. 

As pessoas passaram a atacar o "objeto", não o argumentador. Não contestaram o fato da revista reforçar esse padrão que, pra mim, é super ultrapassado, tendo em vista que vivemos o "fenômeno fitness" , contestam o tipo físico da menina, julgam e, o pior, atribuem doenças. Aí você me pergunta: "por que se doeu tanto?" e então eu te respondo: assim como as gordinhas ganham apelidos, são estereotipadas e etc, as "magrelas" também são, só que, como se não bastasse, as pessoas dão doenças a elas (a nós). Que atire a primeira barra de chocolate branco com cookies a menina que pesa no máximo 50kg que nunca ouviu da tia-avó "Nossa, mas você não come não? Sua mãe deveria te levar em um médico, você deve estar doente", "Mas emagreceu de novo? Você anda vomitando, né?", "[para sua mãe] Você tem que levar essa menina no médico!". Pois é, se você faz parte do grupo das caveirinhas, com certeza entende - e já ouviu isso um dia. 

Imagens do blog Negahamburguer e seu projeto incrível "Beleza Real"
Eu não concordo com essa glorificação do corpo extremamente magro. Não gosto, não acho legal taxar ele de "corpo perfeito e o resto precisa de ajustes". Também não concordo com nenhum tipo de padronização e concordo menos ainda com essa necessidade das pessoas tacharem um "biotipo" de ruim, associá-lo a uma doença ou distúrbio. Eu vi diversos posts em diversos blogs sobre o assunto, mas todos de um único ponto de vista, não vi nada do "ponto de vista da magrela". É difícil porque muita gente não entende que, assim como qualquer outra mulher (seja ela, magra, alta, baixa, gordinha, de pé chato, nariz grande, olhos azuis ou com sardas), as magras também têm suas neuras, inseguranças e insatisfações. 

Não adianta em nada você atacar a pessoa para expor o seu ponto de vista. Voltando a Izabel, ela está exageradamente magra? Sim. Mas ela cumpre com o seu trabalho. Assim como o computador é minha ferramenta de trabalho, o corpo é a dela. É a mesma coisa: quando precisamos executar um determinado trabalho, fazemos ajustes. E apesar de parecer o contrário, ela pode (sim) estar fazendo isso de maneira saudável. Tenho certeza que achou essa frase um absurdo, então, é aí que aponto o real problema: será que não estamos preocupados demais em julgar a pessoa pela sua forma física diferente da nossa e falar mal de algo para nos sentirmos melhores? Será mesmo que o problema está no corpo da modelo, ou é na sociedade e nos veículos que impõem (porque deixamos) o que é certo ou errado, bonito ou feio? Vamos direcionar nossos argumentos a quem realmente precisa ouvir. E de verdade, esse alguém não é a modelo. 

Michele é magrela, tem 1,72, pesa 55 kg e se quiser ver ela
 brava, diga "Nossa, como você emagreceu!". 

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