Uma das coisas mais legais do trabalho da Kipling no Lolla foi conhecer pessoas de várias partes do País. Tinha a galera de Manaus, a galera do Sul e os paulistanos. Não tinha como não falar de moda em nossas conversas paralelas e não teve como eu não constatar algo que eu já sabia: Araçatuba, ou mais precisamente o interior, é extremamente quadrado e atrasado quando o assunto é expressão na hora de se vestir. Aqui existem regras furadas do que você pode ou não usar e acaba que todo mundo se veste igual, como uma espécie de uniforme. E isso é péssimo. Quando citei alguns exemplos, ninguém acreditou. Me senti vivendo em um lugar que estacionou no século XX. Ou em um lugar onde ninguém tivesse acesso a informação além da televisão. 

Os exemplos que dei?
"Botas? Só na Expô! Experimenta colocar sua bota de cano alto com um vestido para ver se não vai ouvir pelo menos um comentário do tipo "Ai, tá indo pra Expô?", "Nossa, com vestido???". Coturno com shortinho? No way, coturno ~é só no frio~ (oi?). Blusa? A da moda é a ciganinha. Saia? Peplum ou bandage. Tem o cabelo colorido? Não é expressão, quer chamar a atenção. E é emo, ainda por cima. (pois é). É homem e usa pulseira? Hm... Sei não. Usa relógio colorido? VISH. É homem e está de calça xadrez? Ah não, esse passa longe da heterossexualidade. E a menina que colocou bota com vestido florido? É louca! Bem como aquela que usa camiseta de super-herói com um short rasgado. Certeza que não tem roupas, coitada. Nossa, e essa calça de couro? É dessas roqueirinhas sujinhas, né?" CARA, juro que esse exemplos são coisas que eu já ouvi e se você, de cidade grande ou não, se sentiu incomodado, imagine para quem vive aqui. 


Aqui é tão complicado, tão cheio de rótulos que chega a ser difícil manter uma personalidade. Aliás, essa palavra está cada vez mais escassa. Até quem se diz apaixonado por moda ou estudante do assunto não consegue sair desses padrões imposto por meia dúzias de pessoas e lojinhas do centro. E o pior: "cagam" a mesma regra: bota só no frio, xadrez é na Expô, etc etc etc. O que me revolta (acho que revolta é a palavra certa) é que são pessoas jovens, da nossa faixa etária, que têm acesso a qualquer informação e continuam consumindo e pregando esse tipo de regra, ou até mesmo, preconceito contra algo diferente. Eu quero usar turbante, quero usar meias acima do joelho com saias xadrez. Quero usar minhas botinhas independente do clima, desde que eu me sinta confortável. Quero usar legging estampada independentemente se você acha legal ou não. Não quero ter um guarda-roupas com blusas de cetim com alças de correntes douradas só porque é o dress-code das baladinhas locais. Eu quero me expressar através do que visto, mas não quero os olhares de desaprovação. Sério, araçatubenses e pessoas do interior que se chocam com diferenças: usem os recursos que têm! A internet do celular já é suficiente para você conhecer e entender que as pessoas, na teoria, devem ser diferentes e devem possuir uma singularidade. E se não entender, pelo menos, aceite: as pessoas são diferentes!

Esse post é apenas um desabafo que surgiu depois que eu li esse post (maravilhoso) aqui e um complemento a esse aqui, que eu fiz ano passado (ou retrasado, não me lembro). Eu quero a minha moda e não seguir uma receita produzida apenas para me sentir aceita. Se o preço a pagar são olhares tortos, que seja. Mas é revoltante pensar que ser você seja tão difícil por fatores geográficos e culturais.

*e sim, na foto sou eu usando uma combinação que sou apaixonada, mas só usei ~confortavelmente~ porque fui no lugar mais "alternativo" da cidade. e que nem fica na cidade, na verdade. 

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