Antes mesmo dessa onda do #stopbeautymadness, aqui nos meus rascunhos, eu tinha começado a desabafar sobre autoestima. Começou quando li esse aqui, da Chez Noelle, e coincidentemente eu estava passando por uma onda "de mal com o espelho". Com o início da popularização da campanha, que na verdade, já tinha uma correspondente brasileira aqui no Brasil, que é a #terçasemmake (você pode saber mais aqui) eu vi meninas lindíssimas postando suas fotos sem maquiagem e vendo isso como um mega desafio. Meu sensor de absurdos apitou. "Como assim essa menina, linda como é, está receosa de postar uma foto sem maquiagem??? Se ela está assim, imagine eu!". E então, a onda de insegurança me invadiu novamente.

Bem, eu ainda me choco com mulheres de corpos maravilhosos querendo emagrecer e, pior, conseguindo. Eu não me conformo, juro por Deus. Eu, que tenho todos esses problemas de autoestima por conta de, justamente, ser "magra demais", fico indignada. Até agora, só vi posts sobre a hashtag falando das gordinhas. Eu até me identificava, mas não rolava. Acredite ou não: ser magra ~demais~ é tão chato quanto. Não, não é qualquer roupa que fica boa. Não, não estamos um padrão - afinal, se fosse assim, toda magrela seria modelo e esse padrão só faz sucesso, veja só, em revista. Sim, ouvimos inúmeras piadas maldosas. E sabe o que é pior? Você não pode reclamar. "Você é magra, todo mundo quer ser assim". 

Eu já desabafei sobre o assunto aqui, mas vamos egocentrizar este post. Com meus 11 anos, estava em uma escola onde, claro, tinha meninos. E é claro, esses meninos eram... meninos, ou seja, faziam piadinhas e mal sabiam o que eram os sentimentos do alvo das brincadeiras. Eu tinha muitos apelidos, por imagine só, ser alta e magrela. Enquanto todas as meninas da sala já tinham peito e quadril, eu continuava com o corpo de uma criança de 9 anos. Aos 15 não foi diferente, mas já estava em uma escola diferente onde as pessoas tinham mais noção das coisas. Mas ainda assim, aquilo estava (está) enraizado. A minha melhor amiga, que era magrinha, até então, de repente virou um mulherão. E coloca mulherão nisso! As outras meninas da roda estava virando mulheres e, então, com meus 17 anos, eu tinha o corpinho de uma menina de 14, mas era a mais alta da turma. 

No ano passado, atingi o meu recorde de "gordura" e foi, de fato, o meu período mais feliz com o espelho. Por conta de um remédio que eu tomava para prevenir enxaqueca (já falei dele aqui), eu engordei e cheguei a pesar 58kg. Tenho 1,71 de altura e continuava magra, mas estava feliz. Eu tinha "perna" e tinha "bunda" (isto, é claro, pra mim hahaha). O remédio, nada mais era que um tratamento de 3 meses e era a segunda vez que eu o fazia, então, quando parei eu não poderia mais voltar a tomar, já que meu organismo tinha se acostumado a ele. Resultado? Fui emagrecendo novamente. Os conhecidos começaram a reparar e cada "Nossa, você está emagrecendo! Não tá comendo?" que eu ouvia me machucava bastante. Como se não bastasse, alguns problemas foram acontecendo e, adivinhem só, emagreci mais ainda. Quando fico ansiosa, nervosa, triste, etc, adivinhem só? Tranco. Não consigo comer nada, nem mesmo um pote de Nutella. 

Hoje estou com meus 1,71 de altura e com 51kg. Tô bem magrinha mesmo. Não tenho mais o mesmo apetite de antes, não consigo mais comprar cerveja (juro, estou tendo que mostrar o RG toda vez e quando não estou com bolsa, eu simplesmente não posso comprar hahaha) e minha autoestima está tão sólida quanto um pudim. E como estou chateada, o que acontece? Exatamente, não como direito. Daí começou o movimento que me encaminhou para diversos posts incríveis sobre os problemas e me mostrou que, infelizmente, ninguém está 100% feliz com o espelho. Gostei de poder externar esse sentimento chato porque sempre que reclamo disso, escuto coisas como "isso é síndrome de Patinho Feio e você não é mais o patinho feio" ou então que "quero confete". Não, eu não quero confete e nem que elogiem. Eu só queria conversar, porque ao ler cada desabafo feito nos blogs que acompanho, mais confortável para escrever aqui eu me senti. E justamente pela empatia que vocês passaram nos posts de você, me expus tanto aqui no MOBIC. E sendo assim, só me resta agradecer. Ao movimento, às blogueiras e a você, que me leu até aqui. ♥ 

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