. 29/05/2016 .
Foi bom te ver
outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval
que passou

Me deparei com esse verso na Paulista, enquanto caminhava apressada para o trabalho. Eu estava alguns minutos atrasada e, geralmente, não olho nem para o lado na hora de atravessar a rua quando percebo que o relógio já bateu 9 horas. Porém, nesse dia, essa frase me chamou a atenção. Em uma fração de segundos, eu a li de uma outra forma. 


Adaptei.

Foi bom te ver
outra vez, mas
Tá fazendo um ano
que o nosso carnaval
passou

A música alta parou de tocar. Os confetes já foram retirados do salão. Não tem mais serpentina e nem mesmo um resquício de purpurina no final das minhas costas. A música alta, que às vezes até fazia com que os ouvidos doessem, fora substituída por uma calmaria que seria melancólica, se não fosse confortante.

O bloco tinha passado. As máscaras foram guardadas e não tinha mais bateria. Mesmo com a casa já em ordem, ainda era possível enxergar o pierrot ali, insistindo em uma marchinha solitária no meio do salão. Decidi dançar com ele mais uma vez para entender a sua insistência e auxiliar em sua solidão.

Os passos não eram mais os mesmos.
As voltas tinham tempos diferentes.

Apertei forte sua mão e sorri tranquilamente ao perceber que eu não era mais sua colombina.
Eu não cabia mais naquela dança. 

O nosso carnaval tinha acabado. 

E já fazia um ano. 

Carnaval

. 17/05/2016 .
- ...e foi isso!

- Você sabe por que isso aconteceu, né? Você é boazinha demais!

Se eu ganhasse R$ 1,00 a cada vez que eu escutasse a frase acima quando eu termino de contar uma situação em que eu fui prejudicada de alguma forma, neste momento, eu estaria escrevendo esse post do meu estúdio em Londres.

Eu sempre escutei isso como a causa de alguns dos meus problemas. "Também, você é boazinha demais", me diziam sempre que eu terminava de contar alguma situação em que saia chateada. Não demorou para que eu passasse a enxergar o "ser boazinha" como algo ruim.

Porém, lá no fundo, mesmo me forçando a deixar de acreditar nas pessoas e tentando ser um tiquinho mais egoísta, eu me sentia bem por acreditar. Me sentia fraca por ser considerada a "boazinha", mas ao mesmo tempo, eu conseguia enxergar isso como uma qualidade. Mesmo que eu evitasse falar sobre isso.


Um dia, em um domingo, um amigo me perguntou:

- Me fala uma coisa que você goste muito em você e não mudaria. Qualquer coisa!

Pensei muito.

- Sou boazinha e acredito nas pessoas. Feliz ou infelizmente.

- Você sempre responde "Feliz ou infelizmente", contestou.

Dei de ombros. A verdade é que vivemos em um mundo em que ser bom e acreditar nas pessoas não é regra: é uma exceção e prejudicial. Sempre que você conta uma história em que acreditou em uma pessoa, em que foi um pouco altruísta ou que deixou de fazer algo no qual seria o único beneficiado, não agem com normalidade: sempre te julgam. Ou taxam você de trouxa, ou até te elogiam.

Porém, a reação esperada, que é a normalidade, nunca acontece.

Você já parou para pensar nisso?

Estamos vivendo em um mundo em que somos condicionados a esperar o pior das pessoas e, caso contrário, você é taxado de ingênio. Bobo. "Bonzinho demais". E isso é tão, mas tão triste, que me deu vontade de escrever. Sinceramente, não consigo deixar de acreditar nas pessoas, de ser otimista e de esperar ações legais ao invés de decepções e, sabe, se a decepção vem, no fundo, eu me sinto bem porque percebo que não fui "corrompida" com toda essa descrença nas pessoas.

Por mais ingênua que possa parecer, eu escolhi acreditar.
Ser boazinha.

Feliz ou infelizmente.

Né?

Boazinha demais

. 13/05/2016 .
O militarismo voltou com tudo e eu sou uma eterna apaixonada pela tendência mais vai-e-vem do nosso inverno. O assunto já foi pauta de um post no blog da Kipling mas, gosto tanto da trend, que trouxe para o MOBIC também - e faz tanto tempo que não falo sobre coisas não-umbiguísticas que achei bem válido. Na verdade, eu trouxe um grande moodboard para servir de inspiração e misturinhas que eu adoro fazer. Vem comigo!

Estilosos e moderninhos, os itens que carregam o verde militar, hoje em dia, são peças de desejo. Parka militar, saia verde ou até mesmo uma blusinha comum podem deixar qualquer look mais simples com uma pegada mais descolada, basta usar a criatividade. Eu já coloquei a parka em minha wishlist mas, enquanto ela não chega, eu apostei em uma t-shirt engraçadinha e já saí por aí com o verdinho hype da estação. 


Eu sou apaixonada por algumas composições meio que padrão - e na verdade, estou meio obcecada por elas. A paleta de cores listras + verde militar tem o meu amor eterno, assim como a camel + verde militar tem toda a minha fidelidade. Veja só outras inspirações de paletas de cores que dão super certo com a tendência!


Verde militar + listras:



Verde militar + camel



Verde militar + preto




Viu? Apesar de parecer difícil, combinar o verde militar é superfácil. Vai da sua vontade e criatividade! ;) E aí? Estavam com saudade de posts menos pessoais aqui no blog? Me contem! O feedback de vocês é sempre muito importante para eu continuar acertando no conteúdo.

Beijo e até o próximo post!


Como usar roupas verde militar

. 10/05/2016 .
Maio sempre foi o mês mais esperado do ano, pra mim e, sim, é pelo meu aniversário. O irônico dessa ansiedade é que eu não gosto de aniversários. Acho, também, que é justamente pelo fato de eu esperar tanto pelo dia 24 que eu me sinto um pouco frustrada quando ele vem. No final do dia, eu percebo que foi mais um como qualquer outro. O sol nasceu, se pôs e nada diferente aconteceu nem na minha e nem na sua vida. 

É um dia que me deixa sensível e, por isso, eu tenho a sensação de que o o mundo resolve me testar no dia 24/05 e tudo o que pode acontecer para me deixar chateada, acontece. É sério, se você me encontrar em um rolê e nos sentarmos para conversar sobre a vida, me pergunte ao menos três histórias ruins protagonizadas em aniversários. Mas ainda assim, mesmo com essa birra, eu sempre espero maio. 

Maio, pra mim, é o que marca o começo do meu ano.


Coloco tanto sentimento no quinto mês do ano que, normalmente, ele é atípico. Por mais que eu brinque sobre inferno astral - e por mais que eu acredite nessas coisas -, sei que é um mês difícil porque eu sinto tudo de uma forma muito intensa. Coração pequeno para muito sentimento, sabe? Eu sempre senti demais, seja alegria ou tristeza. Não sei trabalhar com sentimentos rasos e sou louca por definições, já que elas permitem com que eu me expresse. 

E mais que isso, que eu possa expressar o que sinto. 

Maio sempre é importante e é quando coisas marcantes acontecem e influenciam algo a no máximo dois meses depois. Sempre, sempre ligados ao coração. Em 2015, tive dois extremos no meu quinto mês: o nascimento do novo amor da minha vida, que é o meu sobrinho, e a partida de um outro amor da minha vida, que era o meu avô. Coincidentemente, o nascimento foi no começo do mês, meu aniversário no dia 24, a partida do meu avô no dia 27.

Começo, meio, fim. 

Em um mês, eu tive uma clara representação da vida e do nosso ciclo. Algo extenso demais para alguém que tem o coração que transborda facilmente. Não consegui não pensar em como tudo é finito e efêmero. A felicidade é tão efêmera quanto o sofrimento e é por isso que conseguimos sobreviver, né? 

Um ano depois e eu tenho um olhar diferente sobre tudo isso. Maio me mostra, sempre, que as coisas mudam. Me mostra que ao mesmo tempo em que algo termina, algo novo e incrível começa. Me lembra de ser forte a cada vez que as coisas mais difíceis acontecem. Me faz ser positiva mesmo quando já perdi algumas esperanças.

Maio me lembra que a vida é assim, um ciclo. E é quase reconfortante lembrar de que tudo passa. 

Mesmo as coisas boas. 

Maio