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Mostrando postagens de Junho, 2016

As quatro

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Éramos quatro. Como qualquer enredo de série americana, éramos quatro amigas completamente diferentes que se completavam e se amavam como verdadeiras almas gêmeas. Tínhamos diferenças gritantes, mas que eram abafadas pelas semelhanças que, embora discretas, eram tão fortes que se sobressaiam a qualquer desavença causada pelos pensamentos distintos. Uma era calmaria, delicadeza, cuidado e amor. Outra era luta, garra, mas com festas e sorrisos. A terceira era serenidade, sinceridade e compromisso, enquanto eu, era sentimento, piadas e palavras. Uma mistura que deu certo por três anos obrigatórios e que daria, também, por toda uma vida que viria pela frente. Os caminhos foram se desencontrando geograficamente. As conversas não eram mais diárias, o compartilhamento de conquistas não era presencial. Mas não tinha problema: o amor e a confiança eram mais fortes que as distâncias e correrias que apareceram com a vida adulta. Uma fez engenharia, outra fez biologia, a terceira optou pelo

Meio ano

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Foi amor à primeira vista. Eu me apaixonei no momento em que a conheci. Ela era famosa e, por isso, sempre ouvia as pessoas falarem dela. O adjetivo que mais ficava em minha cabeça era relacionado à sua insanidade. "São Paulo é uma loucura" , diziam sempre. Mas ela flertou comigo e eu me apaixonei. Confessei o meu envolvimento porque eu sabia que a queria para mim. O olhar apaixonado transformava até mesmo as coisas banais e irritantes em características apaixonantes.  Era amor, de fato. Os encontros começaram de forma esporádica e, a cada vinda, eu já sabia que meu coração era dela. Eu não conseguia me enxergar em outro lugar. Era como se eu me encaixasse e me enxergasse em seus detalhes. Com a mudança, eu tive todas as certezas do mundo. O encaixe aconteceu.  Hoje eu acordei, não olhei a previsão do tempo e levei blusa de menos. Passei frio. Tomei uma garoinha, atrasei cinco minutos. Na volta, metrô cheio, trem parado, atraso de quase uma hora. Seria o

O amor da minha vida

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Eu o encontrei na rodoviária. Estava muito frio e ele usava uma touca vermelha que imitava o capacete do Homem de Ferro. É meu sobrinho, não poderia ser diferente, não poderia ser outro herói. Ele usava, provavelmente, três casacos, o que o deixava parecido com um urso, já que estava bem cheinho e pequeno. Meu coração ficou aquecido quando vi aquele rostinho olhando para mim. Percebi, ali, que toda a saudade que eu conhecia não era nada perto da que eu realmente sentia. Eu só queria apertá-lo bem forte e tentar fazer meu coração entender que, sim, ele estava ali, no meu abraço.  Tutu é o tipo de criança que chama a atenção por onde passa. É bonzinho demais, qualquer pessoa consegue arrancar um sorriso dele. É taurino, o menino. Na Paulista, se encantou com os cachorros, com os prédios, com o helicóptero e com a possibilidade de andar no meio de tanta gente. E andou, andou, andou, caiu, sorriu e andou de novo. O frio e o nariz vermelho não eram nada perto das possibilidades que ele

Sobre a beleza de Frances Ha

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Quando eu assisti Frances Ha , pela primeira vez, fui com uma expectativa absurda. Eu ouvia muitas pessoas que eu gosto falar muitíssimo bem do filme e, então, esperei ficar perdidamente apaixonada pelo longa. A verdade é que não foi um amor a primeira vista, não. Precisou uma dose de identificação para que eu, finalmente, entendesse a beleza do filme protagonizado por Greta Gerwirg. Esteticamente, a admiração foi instantânea: takes lindíssimos e uma fotografia bem interessante para um filme rodado no ano de 2012. Mas o que fez meu coração bater mais forte e falar: "Nossa, que filme!" foi, simplesmente, ter me identificado com uma adulta desajustada .  Frances Ha é um filme que mostra a vida como ela é. Dividir apartamento, lidar com contas, entender que a profissão que você escolheu para a vida, talvez, não seja a melhor para você. É encontrar o amor de verdade em sua melhor amiga e achar tudo bem não ter um relacionamento porque você sabe que não quer se contentar

As quatro

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Éramos quatro. Como qualquer enredo de série americana, éramos quatro amigas completamente diferentes que se completavam e se amavam como verdadeiras almas gêmeas. Tínhamos diferenças gritantes, mas que eram abafadas pelas semelhanças que, embora discretas, eram tão fortes que se sobressaiam a qualquer desavença causada pelos pensamentos distintos. Uma era calmaria, delicadeza, cuidado e amor. Outra era luta, garra, mas com festas e sorrisos. A terceira era serenidade, sinceridade e compromisso, enquanto eu, era sentimento, piadas e palavras. Uma mistura que deu certo por três anos obrigatórios e que daria, também, por toda uma vida que viria pela frente. Os caminhos foram se desencontrando geograficamente. As conversas não eram mais diárias, o compartilhamento de conquistas não era presencial. Mas não tinha problema: o amor e a confiança eram mais fortes que as distâncias e correrias que apareceram com a vida adulta. Uma fez engenharia, outra fez biologia, a terceira optou pelo

Meio ano

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Foi amor à primeira vista. Eu me apaixonei no momento em que a conheci. Ela era famosa e, por isso, sempre ouvia as pessoas falarem dela. O adjetivo que mais ficava em minha cabeça era relacionado à sua insanidade. "São Paulo é uma loucura" , diziam sempre. Mas ela flertou comigo e eu me apaixonei. Confessei o meu envolvimento porque eu sabia que a queria para mim. O olhar apaixonado transformava até mesmo as coisas banais e irritantes em características apaixonantes.  Era amor, de fato. Os encontros começaram de forma esporádica e, a cada vinda, eu já sabia que meu coração era dela. Eu não conseguia me enxergar em outro lugar. Era como se eu me encaixasse e me enxergasse em seus detalhes. Com a mudança, eu tive todas as certezas do mundo. O encaixe aconteceu.  Hoje eu acordei, não olhei a previsão do tempo e levei blusa de menos. Passei frio. Tomei uma garoinha, atrasei cinco minutos. Na volta, metrô cheio, trem parado, atraso de quase uma hora. Seria o

O amor da minha vida

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Eu o encontrei na rodoviária. Estava muito frio e ele usava uma touca vermelha que imitava o capacete do Homem de Ferro. É meu sobrinho, não poderia ser diferente, não poderia ser outro herói. Ele usava, provavelmente, três casacos, o que o deixava parecido com um urso, já que estava bem cheinho e pequeno. Meu coração ficou aquecido quando vi aquele rostinho olhando para mim. Percebi, ali, que toda a saudade que eu conhecia não era nada perto da que eu realmente sentia. Eu só queria apertá-lo bem forte e tentar fazer meu coração entender que, sim, ele estava ali, no meu abraço.  Tutu é o tipo de criança que chama a atenção por onde passa. É bonzinho demais, qualquer pessoa consegue arrancar um sorriso dele. É taurino, o menino. Na Paulista, se encantou com os cachorros, com os prédios, com o helicóptero e com a possibilidade de andar no meio de tanta gente. E andou, andou, andou, caiu, sorriu e andou de novo. O frio e o nariz vermelho não eram nada perto das possibilidades que ele

Sobre a beleza de Frances Ha

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Quando eu assisti Frances Ha , pela primeira vez, fui com uma expectativa absurda. Eu ouvia muitas pessoas que eu gosto falar muitíssimo bem do filme e, então, esperei ficar perdidamente apaixonada pelo longa. A verdade é que não foi um amor a primeira vista, não. Precisou uma dose de identificação para que eu, finalmente, entendesse a beleza do filme protagonizado por Greta Gerwirg. Esteticamente, a admiração foi instantânea: takes lindíssimos e uma fotografia bem interessante para um filme rodado no ano de 2012. Mas o que fez meu coração bater mais forte e falar: "Nossa, que filme!" foi, simplesmente, ter me identificado com uma adulta desajustada .  Frances Ha é um filme que mostra a vida como ela é. Dividir apartamento, lidar com contas, entender que a profissão que você escolheu para a vida, talvez, não seja a melhor para você. É encontrar o amor de verdade em sua melhor amiga e achar tudo bem não ter um relacionamento porque você sabe que não quer se contentar