Foi amor à primeira vista.

Eu me apaixonei no momento em que a conheci. Ela era famosa e, por isso, sempre ouvia as pessoas falarem dela. O adjetivo que mais ficava em minha cabeça era relacionado à sua insanidade. "São Paulo é uma loucura", diziam sempre. Mas ela flertou comigo e eu me apaixonei. Confessei o meu envolvimento porque eu sabia que a queria para mim. O olhar apaixonado transformava até mesmo as coisas banais e irritantes em características apaixonantes. 

Era amor, de fato.

Os encontros começaram de forma esporádica e, a cada vinda, eu já sabia que meu coração era dela. Eu não conseguia me enxergar em outro lugar. Era como se eu me encaixasse e me enxergasse em seus detalhes. Com a mudança, eu tive todas as certezas do mundo. O encaixe aconteceu. 


Hoje eu acordei, não olhei a previsão do tempo e levei blusa de menos. Passei frio. Tomei uma garoinha, atrasei cinco minutos. Na volta, metrô cheio, trem parado, atraso de quase uma hora. Seria o típico caos paulistano mas, hoje, tinha um significado diferente, já que comemoramos nosso meio ano juntos. 6 meses de chuva, frio, de comer o pão de forma inteirinho - pois é, inclusive a bundinha.

O que era uma coisa sem compromisso de feriados prolongados, virou relacionamento sério. Me apaixonei tanto que aprendi a amar até mesmo seus defeitos. Nada é tão ruim que não possa ser amenizado com um café no Urbe, uma cerveja em algum bar em Pinheiros ou uma leitura do livro favorito no Ibirapuera. As conquistas ficam melhores se comemoradas com música alta no Cine Joia, em algum karaokê da Liberdade ou até mesmo no bar pé de chinelo na esquina da Alameda Campinas. 

Para ser sincera, a nossa relação não é perfeita e, na verdade, tem briga o tempo todo, mas o amor é maior que tudo. De verdade.

O nosso caso de verão virou casamento com comunhão total de bens. Churrasco com a família no domingo. Três cachorros juntos. É que além de identificação, tem muito amor. Aí não tem jeito mesmo, né? 

Dura.