Senhoras e senhores, eu sou uma Manic Pixie Dream Girl.

A primeira vez que ouvi falar sobre isso, foi enquanto lia uma crítica sobre Tudo Acontece em Elizabethtown. Esse foi o termo que o crítico usou para descrever Claire, a personagem otimista, fofa e que surge na vida do protagonista que eu esqueci o nome para ajudá-lo. Um dos meus melhores amigos chama isso de "Síndrome de Messias", mas acho que dizer que sou uma manic pixie dream girl fica mais bonito e condiz mais com esse blog. Não que eu não tenha essa síndrome, também. 

Acho importante dizer que esse texto está saindo quase como um desengasgo que estava entalado aqui, ó. É que, na real, eu meio que estou cansada de sempre desempenhar esse papel super importante na vida das pessoas que conheço. É irritante como eu sempre sou a mina que aparece na hora mais escura da vida do cara. E ultimamente, isso vem acontecendo com bem mais frequência do que eu gostaria. 

Eu sou a gente boa que ouve as reclamações sobre o relacionamento passado, sobre as crises na carreira e que ainda dá conselhos sinceros sobre tudo isso porque realmente se importa. Eu sou a pessoa que lança o olhar compreensivo enquanto serve uma taça de vinho, ao mesmo tempo em que o cara está despejando todas as suas projeções sobre a mesa. Eu sou aquela que, involuntariamente, começa a me esforçar para atendê-las.

E é sem querer, eu juro. 
De verdade! 

Infelizmente, eu sou aquele tipo insuportável que se envolve e quer fazer de tudo para ajudar essa pessoa que me fez sentir uma coisiquinha que seja. Quero ajudá-lo a conseguir um novo trabalho, a fazer um teste vocacional, a entender que o namoro que acabou não o fazia tão feliz assim, afinal. Eu sou a mulher que o ajuda a comprar uma toalha de banho enquanto ele choraminga sobre os bordados que a ex-esposa insistiu em levar embora na separação. Sou a pessoa fofa que, "meu deus, por que eu só te conheci agora?" e que não será nada além disso.

Eu sou sempre a pessoa certa na hora errada. 

É ironicamente engraçado. Eu sempre apareço para o cara superar alguma coisa - ou para ter um insight sobre si mesmo que, veja só, precisou de mim para que rolasse. Participo de longas conversas, procuro entender seus problemas. Eu me preocupo e faço de tudo pra pessoa entender que ela é alguém importante no mundo. Importante pra mim, principalmente.

E eu não consigo ser diferente.
Eu mergulho -
e às vezes, de cabeça.

Quando eu gosto de alguém, eu quero que essa pessoa fique feliz. E eu tento. Se eu posso fazer algo, por que não? Só que é um pouco cansativo isso ser sempre feito por mim, preciso ser franca. Eu juro que não é egoísmo ou que "eu sou legal porque espero alguma coisa". Muito pelo contrário. É só que é meio exaustivo ser sempre a personagem bonitinha que contribui para o desenvolvimento da história do homem e só. É irritante ser a pessoa que ensinou coisas óbvias e que contribuiu para sua construção como uma pessoa melhor para que ele, finalmente, pudesse seguir em frente. Sozinho, claro.

Eu até pensei em mudar esse meu comportamento "boazinha demais", mas, sempre que penso sobre isso, entendo que a errada não sou eu, não. Eu sou humana e sincera demais para vestir uma capa de pessoa que não se importa. Eu me importo bastante e não consigo ser diferente. Não sei brincar de desinteresse se o que eu sentir não condizer com as regras do jogo.

Acho que o problema não é a(s) pessoa(s) com quem me envolvi, também (embora nos momentos de raiva eu os xingue um pouquinho). O problema principal é o tempo - e o meu parece nunca se acertar. Não basta ter química, vontade, disposição e amor se não tem timing.

Como bem disse a Robin em How I Met Your Mother: 
timing is a bitch.

E rapaz, eu sou a prova disso.


.:: Mais um texto da série: PASSOU, POSTEI. 
Esperei tudo ficar bem para, enfim, falar. E falei :)