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Mostrando postagens de Julho, 2017

Sobre amores e sapatos

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Eu me apaixonei por um sapato. Ali, em meio a vários outros modelos, foi ele que fez meus olhos brilharem da forma mais intensa e genuína possível. Era pra ser meu, foi feito pra mim e não tinha nenhuma outra explicação. Foi amor à primeira vista.  Sem nenhuma surpresa, eu passei a usá-lo sempre – sempre mesmo. Ele era tão bonito que eu não conseguia escolher nenhum outro. Ele combinava com qualquer composição que eu fizesse, com qualquer humor que eu estivesse e sempre me deixava feliz e confiante.  Era meu sapato favorito no mundo e eu não me imaginava usando outro.  Pouco tempo depois, ele começou a machucar os meus dedos. Começou incomodando o dedinho, depois foi machucando a unha do dedão e, quando menos percebi, ele me causava muita dor até no tornozelo. Era intenso e até me tirava algumas lágrimas, mas ainda assim, meu amor por aquele modelo era maior que o desconforto causado.  Insistia em usá-lo constantemente. Era o sapato que eu mais gostava na vida, não ace

(Meus) cancerianos

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O primeiro era felicidade e gargalhada. Não importava muito o motivo, sempre acabávamos rindo. Rindo alto, daquele jeito nenhum pouco sensual como os nossos livros favoritos descreviam sorrisos - mas de uma forma altamente contagiante. A barriga doía e precisávamos nos inclinar para conseguir lidar com a força daquele riso. O segundo era reflexão. Nossas conversas regadas a boas cervejas sempre me traziam conclusões às quais eu jamais chegaria sozinha. Pareciam óbvias demais, depois de ditas por ele. Sempre me apresentou serenidade e cuidado. Inclusive, ele tinha essa mania de cuidar das pessoas que se aproximavam dele e comigo não foi diferente. Sorte a minha.  A terceira era companheirismo. Bom ou ruim, com sorriso ou dor no peito, ela estava lá para tentar me lembrar de quem eu era e o que eu merecia. Ao mesmo tempo em que lidava com suas próprias tempestades, me lembrava sempre de levar um guarda-chuva na mochila. Me fazia feliz com apenas duas palavras e compartilhava dos

Mulher-Maravilha: um filme realmente maravilhoso

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Sério, eu não consigo começar esse post sem definir esse filme com uma única palavra: MARAVILHOSO. Me perdoem pelo clichê de usar o nome da heroína para resumir o que achei sobre o longa, mas não tem jeito - o filme da Mulher Maravilha faz jus ao seu nome.  Não existe outra palavra para descrever essa obra cinematográfica. Não estou dizendo que ele é perfeito em todos os sentidos, até porque teve algumas coisinhas que eu tive que torcer o nariz, mas, de modo geral, que lindeza de filme. E que surpresa boa, principalmente depois da polêmica com Batman vs Superman, que teve um hype imenso, mas que, no final, achei que deixou a desejar. Mulher-Maravilha foi criada nos anos 40 pelo Dr. William Moulton Marston, também conhecido por seu pseudônimo Charles Moulton. Moulton era um psicólogo que ajudou a criar o detector de mentiras - transformado no “laço da verdade” nos quadrinhos -, e defendia a igualdade de gêneros. Assim, 75 anos depois da sua criação e primeira aparição nas HQs,

Icebergs

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Hoje em dia, o que conhecemos das pessoas não é nada muito além da pontinha de seus próprios icebergs. Você, eu e a moça simpática que me sorriu quando pedi um café na padaria mostramos apenas o que é fácil, leve, bonito e gentil. Ao mesmo tempo, reclamamos (constantemente) da superficialidade das relações, mas... quando foi a última vez que você teve coragem de mergulhar em águas turvas e geladas para tentar entender a profundidade de outro alguém? É. Eu também desaprendi a nadar.

Sobre amores e sapatos

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Eu me apaixonei por um sapato. Ali, em meio a vários outros modelos, foi ele que fez meus olhos brilharem da forma mais intensa e genuína possível. Era pra ser meu, foi feito pra mim e não tinha nenhuma outra explicação. Foi amor à primeira vista.  Sem nenhuma surpresa, eu passei a usá-lo sempre – sempre mesmo. Ele era tão bonito que eu não conseguia escolher nenhum outro. Ele combinava com qualquer composição que eu fizesse, com qualquer humor que eu estivesse e sempre me deixava feliz e confiante.  Era meu sapato favorito no mundo e eu não me imaginava usando outro.  Pouco tempo depois, ele começou a machucar os meus dedos. Começou incomodando o dedinho, depois foi machucando a unha do dedão e, quando menos percebi, ele me causava muita dor até no tornozelo. Era intenso e até me tirava algumas lágrimas, mas ainda assim, meu amor por aquele modelo era maior que o desconforto causado.  Insistia em usá-lo constantemente. Era o sapato que eu mais gostava na vida, não ace

(Meus) cancerianos

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O primeiro era felicidade e gargalhada. Não importava muito o motivo, sempre acabávamos rindo. Rindo alto, daquele jeito nenhum pouco sensual como os nossos livros favoritos descreviam sorrisos - mas de uma forma altamente contagiante. A barriga doía e precisávamos nos inclinar para conseguir lidar com a força daquele riso. O segundo era reflexão. Nossas conversas regadas a boas cervejas sempre me traziam conclusões às quais eu jamais chegaria sozinha. Pareciam óbvias demais, depois de ditas por ele. Sempre me apresentou serenidade e cuidado. Inclusive, ele tinha essa mania de cuidar das pessoas que se aproximavam dele e comigo não foi diferente. Sorte a minha.  A terceira era companheirismo. Bom ou ruim, com sorriso ou dor no peito, ela estava lá para tentar me lembrar de quem eu era e o que eu merecia. Ao mesmo tempo em que lidava com suas próprias tempestades, me lembrava sempre de levar um guarda-chuva na mochila. Me fazia feliz com apenas duas palavras e compartilhava dos

Mulher-Maravilha: um filme realmente maravilhoso

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Sério, eu não consigo começar esse post sem definir esse filme com uma única palavra: MARAVILHOSO. Me perdoem pelo clichê de usar o nome da heroína para resumir o que achei sobre o longa, mas não tem jeito - o filme da Mulher Maravilha faz jus ao seu nome.  Não existe outra palavra para descrever essa obra cinematográfica. Não estou dizendo que ele é perfeito em todos os sentidos, até porque teve algumas coisinhas que eu tive que torcer o nariz, mas, de modo geral, que lindeza de filme. E que surpresa boa, principalmente depois da polêmica com Batman vs Superman, que teve um hype imenso, mas que, no final, achei que deixou a desejar. Mulher-Maravilha foi criada nos anos 40 pelo Dr. William Moulton Marston, também conhecido por seu pseudônimo Charles Moulton. Moulton era um psicólogo que ajudou a criar o detector de mentiras - transformado no “laço da verdade” nos quadrinhos -, e defendia a igualdade de gêneros. Assim, 75 anos depois da sua criação e primeira aparição nas HQs,

Icebergs

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Hoje em dia, o que conhecemos das pessoas não é nada muito além da pontinha de seus próprios icebergs. Você, eu e a moça simpática que me sorriu quando pedi um café na padaria mostramos apenas o que é fácil, leve, bonito e gentil. Ao mesmo tempo, reclamamos (constantemente) da superficialidade das relações, mas... quando foi a última vez que você teve coragem de mergulhar em águas turvas e geladas para tentar entender a profundidade de outro alguém? É. Eu também desaprendi a nadar.