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. 29/01/2018 .
"Você sumiu"

Às vezes a gente some, mesmo. Fica um pouquinho dentro do casulo para recuperar as energias. Se esconde no canto do quarto pra poder chorar baixinho e aumenta o volume do som pra ninguém escutar alguns soluços.

A gente some porque não quer preocupar, não quer explicar, não quer ser peso. A gente quer ser apenas sorriso no rosto, melhor companhia para fazer qualquer coisa e sinônimo de festa. Quando nos sentimos diferentes disso, a gente some.

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É que de vez em quando, nem a gente tá se achando. Nos olhamos no espelho e não reconhecemos aquela imagem que há tanto era familiar. Dizemos algumas palavras que nunca saíram da nossa boca antes e até reproduzimos alguns discursos que juramos nunca falar. A gente some pra poder se reencontrar, dar as mãos e voltar para o mesmo caminho. Às vezes devagarinho, pra dar tempo de pegar pelo trajeto tudo o que foi deixado no processo de sumiço.

Ideias, filosofias, amor(es), confiança.

"Você sumiu", mas é que eu precisava me lembrar de quem eu era. Precisava acender a luz para me dar conta da bagunça em que estava vivendo e, assim, ter uma ideia de como começar a arrumação. Não quis chamar ninguém pra ajudar na faxina porque a bagunça é toda minha. Por isso, sumi.

A gente some.
Mas a gente sempre volta, também.
Pode até demorar e, no processo, sofrermos algumas mudanças.

Mas a gente sempre volta.

Você sumiu

. 15/01/2018 .
No sentir, sempre fui tormenta. 

Sempre estive apaixonada e sempre foi de forma intensa. 
Meu coração nunca ficava vazio e minhas expectativas não me deixavam em paz.
Eram como relâmpagos em noites escuras. Iluminavam, mas davam medo, também. 

Acreditava apenas no amor vermelho, vivo e que fosse forte o bastante para fazer o coração bater descompassado.
Por isso, sempre vivi amores fulminantes. 
Aqueles que vinham do nada e (me) levavam tudo.

Vivia novas paixões todos os dias e da forma mais intensa possível.

Furacão.

No começo doía bastante, mas depois aprendi a enxergá-los como uma fase entre dois tempos.
Do céu cinza ao arco-íris. Do barulho alto do trovão ao (quase) silêncio da brisa.

Aos poucos e depois de muita tempestade,
meus amores de tormenta viravam calmaria.



Quase que como um respiro para que eu tivesse tempo de reconstruir a cidade depois dos estragos da chuva forte, vinha a vontade de deitar na rede e aproveitar o silêncio que o bom tempo e a solidão oferecia. O vento soprava em meu ouvido e me dizia para acalmar meu coração, porque amores deveriam ter gosto de nuvem e barulho de sussurro.

Fechei os olhos,
senti a brisa
e de repente,
sozinha,
me vi em constante calmaria.

Sombra, brisa, mar calmo e tempo firme.
A paisagem era tão linda quanto o sentimento que ela trazia.
Não tinha casa para reconstruir e nem móveis para arrastar.
Era só sossego.
Tranquilidade.

Meu sentir, que sempre foi trovão, se tornou vento fresco em dia quente. 
Respiro. 

Suspiro. 

[sobre sentir e amar com (c)alma]

Calmaria

. 02/01/2018 .
A primeira coisa que postei no Facebook, em 2017, foi uma frase do Neil Gaiman, em que ele diz: 

"Hug too much. Smile too much.
And, when you can, love".
E, como eu disse nesse texto aqui, foi exatamente o que eu fiz.
Em 2017, eu amei em toda oportunidade que tive. 

-

Janeiro começou em companhia da Camila, minha amiga de Araçatuba. Foi a primeira vez, em quase dois anos, que eu tirei um dia inteiro só para conhecer São Paulo. Me apaixonei pelos prédios cheios de histórias do centrão, me encantei com o tamanho da Catedral da Sé e fiz todo um roteiro turístico que há tempos eu ensaiava.  

Em fevereiro, tive o melhor carnaval da minha vida. Grande parte das minhas melhores amigas ficaram em casa e foi a melhor coisa do ano inteiro. Ainda que eu tenha sido roubada e ficado sem celular por um tempo, foi tudo muito incrível, desde o processo de montar as fantasias, até o bloquinho, de fato. Me aproximei ainda mais de pessoas que sempre foram importantes e poderia até dizer que isso foi o preview do que seria o restante do ano: laços confortavelmente apertados. 

Pat e eu, em um dos dias de carnaval

Em março, eu mudei de emprego. Sai de um lugar que eu realmente amava o que fazia e trabalhava com uma das minhas melhores amigas, para um lugar que poderia me ensinar coisas diferentes - e, desde o início, minha mudança para São Paulo foi motivada pela procura de crescimento profissional. Contrariando minha mãe que me disse mil vezes para "não trocar o certo pelo duvidoso", fui. E não me arrependi.

Em abril, conheci uma pessoa que me fez relembrar sentimentos que eu não sentia há, pelo menos, dois anos. Me lembrou da leveza dos começos de relacionamentos, da delícia das descobertas de outro alguém. Do quanto era gostoso fazer planos e de receber mensagens bonitinhas sem esperar. Ali, eu relembrei as borboletas no estômago, o rosto corando com o olhar correspondido e todos os outros clichês românticos que tanto gostamos. Em abril, me apaixonei de verdade. 

Em maio, do céu, eu fui ao inferno - e, talvez não coincidentemente, maio é o mês do meu inferno astral. Tive problemas pessoais, financeiros, amorosos e tudo o que parecia certo, de repente, desandou. Como acredito mesmo nessas coisas astrológicas, eu escrevi uma nota, em um dos meus cadernos, sobre o que foi aquele mês: "Inferno Astral é igual ano 9: tira da sua vida tudo o que é para ser seu. A gente, na hora, não entende - mas não demora pra fazer sentido: tanto a dor, quanto o rompimento". Em maio, fiz 25 anos e, por sorte, pude comemorá-los ao lado de pessoas incríveis. 

Em junho, meu "pseudo-relacionamento de três meses" acabou e, com ele, um dos planos que fiz lá atrás: uma viagem para Porto Alegre. Com as passagens compradas e sem nenhum roteiro alternativo traçado, decidi ir de qualquer forma. Acionei amigos virtuais do passado e outros gaúchos semi-conhecidos e fui. E foi incrível! Tanto a viagem, que contou com a participação de pessoas que se tornaram muito importantes, depois disso, quanto o simples fato de me desafiar a cumprir um plano traçado a dois, sozinha. Foi em junho que percebi o quanto eu sou feliz comigo mesma. Em junho, eu me amei mais que qualquer outra pessoa. 

Redenção, Porto Alegre. A minha primeira viagem 100% sozinha

Em julho, eu fiquei amiga de uma das pessoas mais queridas que já conheci na vida e que me mostrou que eu não estou sozinha em São Paulo, não. A Fernanda não só se fez presente como nenhuma outra pessoa fazia, como me trouxe outras pessoas incríveis a quem eu posso recorrer em qualquer situação, seja urgência ou um convite sem vergonha pra ver filme ruim no cinema. Foi ali que começamos o que, apesar de chamarmos de squad, é na verdade uma grande família.

Em agosto, eu me reaproximei do amor de abril, mas na condição de esclarecimentos, conclusões e encerramentos de ciclos. Lavamos roupas sujas e tivemos uma finalização linda, carinhosa e gentil. Apesar de importante, essa não foi a melhor notícia do mês oito, não. Em agosto eu tive a confirmação de que teria um livro publicado pela Companhia das Letras e, consequentemente, um dos meus maiores sonhos de vida sendo realizado. Para encerrar as grandes emoções do mês em grande estilo, em agosto, também, descobri que seria tia pela segunda vez. 

Em setembro, eu conheci outra pessoa importante que me fez exercitar minha empatia para alguém que tinha problemas similares - ou até piores, às vezes - que os meus. Também foi o mês em que eu comecei a correr, consegui atingir 5k, mas parei dois meses depois :(

Em outubro, eu realizei outro sonho de vida, que foi ver um show do Paul McCartney. Mais uma vez, fui sozinha e, de novo, foi incrível. Vivi o show do meu beatle favorito em sua totalidade e vê-lo foi uma experiência que eu tenho certeza que lembrarei até quando for velhinha.

Em novembro, uma grande amiga que a internet - e a Kipling - me deu, me fez a pessoa mais feliz do mundo com um presente extremamente sensível, que foi o ingresso do show do Sigur Rós. Esse show e o fato de eu tê-lo ganhado de alguém tão especial, como a Mari, foi uma das coisas mais lindas que eu vivi na vida.


Em dezembro, eu tive a constatação de que minha autoestima nunca esteve tão boa e isso me fez imensamente feliz. Terminei uma relação que era gostosa, mas não me oferecia a profundidade que eu queria. Finalmente eu disse não a um amor que me foi oferecido, por saber que eu merecia mais. Em dezembro eu recebi minha família em São Paulo, realizei o sonho da vida do meu pai, que era conhecer o estádio do Corinthians, e tive um Natal realmente incrível.


Em 2017, eu aprendi a amar.
A me amar. 
E essa foi a lição mais linda que eu poderia ter aprendido. 

Sem querer, eu segui à risca a primeira frase que postei no ano. 

E que bom. ♥
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Feliz ano novo, gente! :)

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