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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

Você sumiu

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"Você sumiu" Às vezes a gente some, mesmo. Fica um pouquinho dentro do casulo para recuperar as energias. Se esconde no canto do quarto pra poder chorar baixinho e aumenta o volume do som pra ninguém escutar alguns soluços. A gente some porque não quer preocupar, não quer explicar, não quer ser peso. A gente quer ser apenas sorriso no rosto, melhor companhia para fazer qualquer coisa e sinônimo de festa. Quando nos sentimos diferentes disso, a gente some. Adicionar legenda É que de vez em quando, nem a gente tá se achando. Nos olhamos no espelho e não reconhecemos aquela imagem que há tanto era familiar. Dizemos algumas palavras que nunca saíram da nossa boca antes e até reproduzimos alguns discursos que juramos nunca falar. A gente some pra poder se reencontrar, dar as mãos e voltar para o mesmo caminho. Às vezes devagarinho, pra dar tempo de pegar pelo trajeto tudo o que foi deixado no processo de sumiço. Ideias, filosofias, amor(es), confiança. "Você su

Aziz Ansari, Cat Person e dates ruins

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Por que aceitamos encontros horríveis e não vamos embora? Há algumas semanas, um conto publicado na New Yorker viralizou. “Cat Person” conta a história de Margot, uma garota de 20 e poucos anos que trabalha em um cinema cult, flerta com um cara que estava comprando um ingresso e ficam trocando mensagens por um tempo, antes de marcarem um encontro. Contrariando as expectativas da protagonista, o date é meio ruim, mas ainda assim, ela vai pra casa dele, afinal, eles trocaram mensagem por muito tempo e não era possível que o encanto não fosse reaparecer. Só que não reapareceu. Já no apartamento dele, ela percebe que não estava mais interessada, que ele nem era tão bonito quanto ela se lembrava e, apesar de todas as decepções da noite e da conclusão de que ele não era tão legal assim, ela transa com ele. E é uma bosta. O conto viralizou, a princípio, porque traz na narrativa uma história que quase toda mulher já viveu: a do sexo ruim porque “já estava lá mesmo”. Se me permite o spo

Calmaria

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No sentir, sempre fui tormenta.  Sempre estive apaixonada e sempre foi de forma intensa.  Meu coração nunca ficava vazio e minhas expectativas não me deixavam em paz. Eram como relâmpagos em noites escuras. Iluminavam, mas davam medo, também.  Acreditava apenas no amor vermelho, vivo e que fosse forte o bastante para fazer o coração bater descompassado. Por isso, sempre vivi amores fulminantes.  Aqueles que vinham do nada e (me) levavam tudo. Vivia novas paixões todos os dias e da forma mais intensa possível. Furacão. No começo doía bastante, mas depois aprendi a enxergá-los como uma fase entre dois tempos. Do céu cinza ao arco-íris. Do barulho alto do trovão ao (quase) silêncio da brisa. Aos poucos e depois de muita tempestade, meus amores de tormenta viravam calmaria. Quase que como um respiro para que eu tivesse tempo de reconstruir a cidade depois dos estragos da chuva forte, vinha a vontade de deitar na rede e aproveitar o silêncio que o bom tem

Balanço

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A primeira coisa que postei no Facebook, em 2017, foi uma frase do Neil Gaiman , em que ele diz:  "Hug too much. Smile too much. And, when you can, love". E, como eu disse nesse texto aqui , foi exatamente o que eu fiz. Em 2017, eu amei em toda oportunidade que tive.   - Janeiro começou em companhia da Camila, minha amiga de Araçatuba. Foi a primeira vez, em quase dois anos, que eu tirei um dia inteiro só para conhecer São Paulo . Me apaixonei pelos prédios cheios de histórias do centrão, me encantei com o tamanho da Catedral da Sé e fiz todo um roteiro turístico que há tempos eu ensaiava.   Em fevereiro, tive o melhor carnaval da minha vida . Grande parte das minhas melhores amigas ficaram em casa e foi a melhor coisa do ano inteiro. Ainda que eu tenha sido roubada e ficado sem celular por um tempo, foi tudo muito incrível, desde o processo de montar as fantasias, até o bloquinho, de fato. Me aproximei ainda mais de pessoas que sempre foram importantes

Você sumiu

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"Você sumiu" Às vezes a gente some, mesmo. Fica um pouquinho dentro do casulo para recuperar as energias. Se esconde no canto do quarto pra poder chorar baixinho e aumenta o volume do som pra ninguém escutar alguns soluços. A gente some porque não quer preocupar, não quer explicar, não quer ser peso. A gente quer ser apenas sorriso no rosto, melhor companhia para fazer qualquer coisa e sinônimo de festa. Quando nos sentimos diferentes disso, a gente some. Adicionar legenda É que de vez em quando, nem a gente tá se achando. Nos olhamos no espelho e não reconhecemos aquela imagem que há tanto era familiar. Dizemos algumas palavras que nunca saíram da nossa boca antes e até reproduzimos alguns discursos que juramos nunca falar. A gente some pra poder se reencontrar, dar as mãos e voltar para o mesmo caminho. Às vezes devagarinho, pra dar tempo de pegar pelo trajeto tudo o que foi deixado no processo de sumiço. Ideias, filosofias, amor(es), confiança. "Você su

Aziz Ansari, Cat Person e dates ruins

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Por que aceitamos encontros horríveis e não vamos embora? Há algumas semanas, um conto publicado na New Yorker viralizou. “Cat Person” conta a história de Margot, uma garota de 20 e poucos anos que trabalha em um cinema cult, flerta com um cara que estava comprando um ingresso e ficam trocando mensagens por um tempo, antes de marcarem um encontro. Contrariando as expectativas da protagonista, o date é meio ruim, mas ainda assim, ela vai pra casa dele, afinal, eles trocaram mensagem por muito tempo e não era possível que o encanto não fosse reaparecer. Só que não reapareceu. Já no apartamento dele, ela percebe que não estava mais interessada, que ele nem era tão bonito quanto ela se lembrava e, apesar de todas as decepções da noite e da conclusão de que ele não era tão legal assim, ela transa com ele. E é uma bosta. O conto viralizou, a princípio, porque traz na narrativa uma história que quase toda mulher já viveu: a do sexo ruim porque “já estava lá mesmo”. Se me permite o spo

Calmaria

Imagem
No sentir, sempre fui tormenta.  Sempre estive apaixonada e sempre foi de forma intensa.  Meu coração nunca ficava vazio e minhas expectativas não me deixavam em paz. Eram como relâmpagos em noites escuras. Iluminavam, mas davam medo, também.  Acreditava apenas no amor vermelho, vivo e que fosse forte o bastante para fazer o coração bater descompassado. Por isso, sempre vivi amores fulminantes.  Aqueles que vinham do nada e (me) levavam tudo. Vivia novas paixões todos os dias e da forma mais intensa possível. Furacão. No começo doía bastante, mas depois aprendi a enxergá-los como uma fase entre dois tempos. Do céu cinza ao arco-íris. Do barulho alto do trovão ao (quase) silêncio da brisa. Aos poucos e depois de muita tempestade, meus amores de tormenta viravam calmaria. Quase que como um respiro para que eu tivesse tempo de reconstruir a cidade depois dos estragos da chuva forte, vinha a vontade de deitar na rede e aproveitar o silêncio que o bom tem

Balanço

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A primeira coisa que postei no Facebook, em 2017, foi uma frase do Neil Gaiman , em que ele diz:  "Hug too much. Smile too much. And, when you can, love". E, como eu disse nesse texto aqui , foi exatamente o que eu fiz. Em 2017, eu amei em toda oportunidade que tive.   - Janeiro começou em companhia da Camila, minha amiga de Araçatuba. Foi a primeira vez, em quase dois anos, que eu tirei um dia inteiro só para conhecer São Paulo . Me apaixonei pelos prédios cheios de histórias do centrão, me encantei com o tamanho da Catedral da Sé e fiz todo um roteiro turístico que há tempos eu ensaiava.   Em fevereiro, tive o melhor carnaval da minha vida . Grande parte das minhas melhores amigas ficaram em casa e foi a melhor coisa do ano inteiro. Ainda que eu tenha sido roubada e ficado sem celular por um tempo, foi tudo muito incrível, desde o processo de montar as fantasias, até o bloquinho, de fato. Me aproximei ainda mais de pessoas que sempre foram importantes