. 16/07/2018 .
Eu não me lembro qual foi a primeira vez que alguém comentou aqui no blog que eu deveria escrever um livro, mas me lembro perfeitamente do quanto eu fiquei lisonjeada com a frase. Escrever um livro sempre foi um sonho, mas que parecia distante demais da realidade para ser uma ambição. Eu, que aos 15 anos escrevia fanfics sobre integrantes de bandas adolescentes que se apaixonavam por estudantes desajustadas do Ensino Médio, jamais imaginaria que, aos 26, estaria lançando um livro (de verdade) sobre minhas impressões e experiências de e sobre amor. Quem diria que os amores eternos de um dia, que eu vivenciei ao longo desses três anos, me serviriam de material para escrever um livro. 

Meu livro. 

Que já tem título, subtítulo, capa, ilustração e data de lançamento. 

É com muito, muito, mas muito amor mesmo, que eu venho, oficialmente, apresentar a capa do meu livro, que eu já compartilhei no Instagram, Twitter e Facebook. ♥ 

Eu estou MUITO APAIXONADA AAAAAAAAAA

Ele está sendo publicado pela Editora Paralela, um dos selos comerciais da Companhia das Letras e tem ilustrações e diagramação feitas pelo Estúdio Bogotá - eu estou realmente apaixonada por todas as ilutras e por todo o trabalho das meninas (porque sim, as ilustradoras são todas meninas ♥). O livro, que já está em pré-venda na Livraria Cultura (clica aqui pra comprar o seuuuu) é, basicamente, um pouco do que vocês já veem aqui no blog, mas de um jeito mais focado e ainda mais leve. 

Como agora eu sou uma autora de verdade (hohoho), eu vou copiar a descrição que a equipe da editora fez, sobre o livro, para vocês sentirem um gostinho do que estará chegando em Agosto para nós (sim, nós, porque eu estou tão ansiosa que inevitavelmente comprarei meus próprios livros nas livrarias). 
Procurando ou não romance (ou sexo) nos Tinders e Happns da vida, este é um livro para você pensar, se divertir e entender melhor a nossa época.Como identificar um boy lixo? O que fazer quando você age como um boy lixo? Como lidar com o ghosting? A jornalista Michele Contel tenta responder a essas e outras perguntas em seu primeiro livro, Amores eternos de um dia.Escrito com sensibilidade e leveza, ele ajuda a desmitificar o casamento de romance com tecnologia, combinando reflexões autobiográficas com ficção. A autora defende que sim, pode haver sentimento por trás de um match no Tinder ou no Happn. E não, isso não significa que é errado aderir aos apps só por diversão.Um livro original, que vai fazer você repensar tudo o que sabia sobre o amor nos tempos do like.

E é isso. Eu estou muito muito muito feliz com tudo isso e espero, mesmo, que vocês gostem. Quero agradecer, profundamente, todas as pessoas que um dia comentaram algum textinho meu e que, sem saberem, me deram coragem para tirar esse sonho do papel. Ou melhor, em transformá-lo.

Para quem for de São Paulo: terá lançamento e noite de autógrafos SIM! Gostaria muito de abraçar todo mundo que me acompanha por aqui, então, gostaria MUITO que vocês fossem. As informações gerais, como data e local, eu vou passar no Instagram - então, caso você ainda não me siga, já vem: é michelecontel ♥

Obrigada.
De verdade!

Com vocês, Amores eternos de um dia

. 10/07/2018 .
Fernanda decidiu passar o carnaval longe do glitter e das serpentinas. Convidou sua melhor amiga para viajar até Buenos Aires, onde poderiam curtir a calmaria da capital argentina com muito vinho, alfajor e tango. Com Paloma, aproveitou a viagem melhor do que teria feito com seu ex-namorado, um dos motivos que a fez preferir ficar longe da bagunça do carnaval de rua paulistano. Não queria ter que lidar com o término e muito menos com a possibilidade de encontrá-lo por acaso em algum bloquinho do centro da cidade.

Depois de passar alguns dias conhecendo pontos turísticos e bons restaurantes, Fernanda e Paloma concordaram que a viagem poderia ficar ainda mais interessante se pudessem conhecer outros lugares acompanhadas de nativos bonitinhos. Decidiram, então, instalar o Tinder.

“Nossa, esse aqui parece o Messi!”, brincou Paloma, enquanto deslizava seus possíveis-futuros-dates para direita.

“Não estou achando ninguém interessante...”, confessou Fernanda já um tanto desanimada, enquanto arrastava para a esquerda seu décimo pretendente.

Quando estava prestes a desistir da ideia e considerando a possibilidade de ir a um bar sozinha e esperar que alguém mandasse uma bebida para começar o flerte – assim como via em seus filmes favoritos – ela encontrou alguém aparentemente interessante.

“Olha, esse parece o Nate Wolff!”, comentou com Paloma, mostrando o perfil do argentino. As fotos realmente mostravam uma semelhança com o ator americano. Sua descrição era sucinta “Odeio astrologia”. Ou, melhor dizendo, “Me odio a la astrogía". Fernanda deu like no argentino e o match aconteceu imediatamente. Ela sorriu empolgada.

“Vamos ver se ele é legal!”, disse para a amiga, antes de começar a puxar assunto com Juan Pablo.
E assim começaram a conversar. Trocaram as principais informações que precedem todo encontro (“O que você faz? O que gosta de comer? Onde mora? Mora sozinho? Gato ou cachorro? Nutella ou Doce de Leite? Beatles ou Rolling Stones?) até o convite partir da brasileira.

“Tem um bar perto do meu hotel e eu queria muito ir com uma companhia diferente. Amo a Paloma, mas já não aguento mais falar com ela sobre sua dieta celíaca. Quer nos acompanhar?”

“Adoraria! Mas isso poderia ser um date, não é? Só nós dois?”, perguntou Juan Pablo.

“Ah, prefiro que ela vá com a gente. Assim, não fica aquela coisa implícita de que temos-que-ficar-porque-nos-conhecemos-no-Tinder. Às vezes, a gente nem se curte como homem e mulher, mas podemos nos adorar como amigos”, ela disse sinceramente, expondo um pouco de sua timidez mesclada à dose cavalar de sinceridade.

“Se você prefere assim, eu topo. Te encontro lá às 21h”.

“Perfeito”.

Na hora e lugar marcados, as duas foram ao encontro do "argentino da Fernanda", como já era chamado entre as amigas. Paloma não marcou nada com ninguém: foi apenas de escudo para a amiga.

“Eu não acredito que você está me levando pra um encontro...”, reclamou, enquanto se sentavam nas cadeiras coloridas do balcão.

“Amiga, eu odeio primeiros encontros e odeio que a pessoa conheça alguém que não sou. Com você, conseguirei ser eu mesma. E se eu não gostar dele, podemos ir embora. Nunca tive encontro com alguém do Tinder, não sei os protocolos”, confessou enquanto pegava o cardápio de drinks.

Paloma concordou com a cabeça.

“Não vamos demorar. Estou morrendo de fome e eu não posso comer nada que contenha glúten, você sabe”.

“Eu sei, eu sei”, respondeu Fernanda, sem tirar os olhos do cardápio.

Menos de cinco minutos depois, foram abordadas por um rapaz alto, de mais ou menos 26 anos, calça jeans, camiseta branca e um blazer preto. Fernanda sorriu sinceramente.


“Oi!”, ele disse com um sorriso de canto discreto e extremamente charmoso. Fernanda não saberia responder se ficou mais encantada pelo sorriso ou por aquele sotaque espanhol irresistível.

“Olá, aquariano!”, cumprimentou brincando, fazendo referência ao perfil no Tinder.

“Oi, Juan Pablo. Eu sou a Paloma. A amiga”, brincou Paloma, enquanto cumprimentava o garoto e quebrando um pouco o clima de timidez que cercava o possível-casal. 

Juan sentou ao lado de Fernanda, que ficou no meio dos dois convidados. Ele pediu um negroni ao bartender e foi copiado pelas duas turistas.

“E então, por que decidiram trocar o carnaval brasileiro por uma pacata Buenos Aires?”, ele perguntou, iniciando o assunto que seguiria por, pelo menos, mais duas horas.

A partir daí, conversaram, os três, sobre carnaval, fantasias, Twin Peaks, filmes adolescentes, boybands, amadurecimento musical, carreira, testes vocacionais, política e sabores de sorvete. Já era quase meia noite, quando Paloma interrompeu o casal para implorar por comida.

“Gente, sério, eu preciso muito comer e, aqui, só tem opções com glúten. Eu posso pedir no hotel e vocês continuam por aqui, sem problemas!”.

“Não, vamos encontrar um restaurante para você. Faço questão que jante com a gente”, disse Juan, enquanto se preparava para acertar a conta.

Fernanda sorriu animada para a amiga. Juan Pablo não era apenas lindo, como também era um fofo. Se sentiu sortuda por ter um primeiro-encontro-do-Tinder com um cara tão legal. Juan voltou com a conta paga, chamou um Uber e contou que escolheu um restaurante que atendesse às necessidades de Paloma.

A escolha de Juan não foi tão feliz. O primeiro restaurante estava fechado, então, seguiram para outro que também estava perto, mas não deixaram que eles entrassem. “Eu vou procurar aqui no Trip Advisor...”, o argentino tentava solucionar o problema enquanto se preparavam para a terceira tentativa de restaurante com menu celíaco.

“Gente, sério, eu vou pro hotel. Não se preocupem. Só me deixem lá e tá tudo bem”, nesse momento, Paloma se dirigiu para Fernanda “Amiga, é sério. Ta tudo bem”.

O casal concordou e, então, mudaram o destino e seguiram para o hotel. Paloma se despediu rapidamente e entrou quase que correndo. Juan virou para Fernanda.

“Vou te levar para o lugar mais clichê de Buenos Aires, mas algo me diz que você vai gostar”, ele disse sem olhar para a garota, mas digitando – provavelmente o endereço – no celular. Fernanda sorriu animada.

“Tudo bem. Vou confiar em sua escolha, aquariano”.

Tocava Say It Ain’t So, do Weezer e as luzes da rua, que entravam no carro, deixavam o momento digno de registro. Fernanda poderia jurar que já viu essa cena em algum de seus filmes românticos favoritos. Os olhares dos dois se encontraram e foram seguidos por dois sorrisos dados praticamente juntos. Juan passou o polegar sobre a mão direita de Fernanda e fez carinho, antes de pegá-la para desceram do carro, quando o motorista o parou.

Chegaram no Galileo Galilei planetarium. Estava fechado, então, de mãos dadas, o argentino levou Fernanda ao bosque da frente. Segundo Juan, poderiam sentar na grama e olhar o planetário – ainda que só por fora.

“Seria legal se pudéssemos entrar, mas não deixa de ser uma visita ao planetário, certo?”, ele brincou.
“Já vale”, confirmou Fernanda olhando encantada para o prédio. Quando virou para olhar Juan, percebeu que ele a olhava fixamente.

Então, depois de horas de conversas, busca por restaurantes e ruas percorridas de carro, ela tomou a frente e deu o primeiro beijo do casal – movimento que foi repetido várias e várias e várias e várias e várias vezes naquela noite, que só terminou com o nascer do Sol.

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5- Buenos Aires, o Tinder, o menu celíaco e o planetário

. 07/07/2018 .
Tudo tinha dado errado. O que era pra ter sido uma viagem a dois, virou uma expedição solitária em uma cidade sem atrações turísticas e repleta de desconhecidos. O que era pra ser diversão, virou uma tentativa desenfreada de fugir dos problemas e de forçar a superação de um término mal resolvido.

Mariana fez check-in no hostel de paredes azuis, jogou a enorme mochila na beliche e deitou, não acreditando que tudo aquilo estava acontecendo: a viagem sem programação, o término recente e a falta de perspectiva de que algo fosse acontecer. Fitando o teto, começou a se perguntar porquê tinha insistido em uma viagem que não seria, nem de longe, como a planejada e porque não tentou lidar com um rompimento como sempre viu em suas comédias românticas favoritas. Por não conhecer ninguém na cidade, até tinha avisado um conhecido da internet de que estaria lá, mas como eles nunca tinham se visto, dificilmente ele seria o responsável por mudar o humor - e as expectativas - de Mariana.

Por sorte, ela estava enganada.

Assim que cumpriu com seus compromissos profissionais na cidade, mandou uma mensagem para Lucas, o publicitário com quem tinha conversado durante meses no Twitter. Combinaram um horário e ele ficou de buscá-la no hostel em que estava hospedada e era próximo ao melhor bar da cidade, segundo ele. Mariana escolheu um vestido brilhante, fez uma maquiagem forte e, olhando-se no espelho, torceu para que aquela noite a surpreendesse, por mais que duvidasse disso.

“Estou aqui na frente”, Lucas mandou por mensagem. 

Mariana conferiu mais uma vez seu look no espelho, deu de ombros e, sem pensar muito, desceu. Nunca tinha visto Lucas pessoalmente e ficou surpresa com o fato de ele ser mais magro do que aparentava e mais baixo do que ela. Não conseguiu não sorrir ao vê-lo com sua jaqueta verde militar cheia de patches e, então, o abraçou timidamente. 

Um tanto quanto desconcertados, começaram conversas corriqueiras enquanto caminhavam para o bar que tinha o nome de um famoso escritor alemão. Pediram uma gin tônica cada quando chegaram e, enquanto bebiam e se soltavam, descobriam afinidades e relembravam conversas antigas que tiveram no Twitter. 


“Mas então, você veio sozinha para uma viagem que seria com um namorado?”, perguntou Lucas enquanto tomava seu terceiro copo, já com um sorriso exagerado no rosto. Provavelmente causado pelo álcool. 

“Sim. As passagens já estavam compradas, . não Não fazia sentido eu desperdiçar as duas, né?”, respondeu Mariana, sorrindo e já achando graça de sua própria história “Se não conhecesse você, ainda seria um ótimo lugar para comer”.

“Exato. Definitivamente, aqui é um ótimo lugar para isso. Inclusive, vou te levar agora em um lugar que é obrigatório para qualquer turista”, Lucas respondeu sorrindo também. 

Mariana ficou animada com os caminhos que a noite estavam tomando e, principalmente, com o fato de ser surpreendida. Do bar, foram comer em uma lanchonete tradicional da cidade e Lucas fez questão de indicar os melhores pratos e contar curiosidades sobre o lugar. Enquanto comiam, ele mandou mensagem para uns amigos o encontrarem ali e, assim que chegaram, fez questão de colocar Mariana em todos os assuntos até ela se sentir a vontade para ir à balada com todos eles. 

Funcionou.

Quando chegaram na festa, Mariana percebeu que se tratava de uma noite com músicas bregas e sorriu ao ver Lucas dançando em sua frente. A noite já estava leve, agradável e extremamente divertida, mas quando o DJ começou a tocar Fogo e Paixão, do Wando, ela chegou em seu ápice. Foi então que Lucas olhou para Mariana.

“Vai ser estranho!”, ele disse alto, para tentar ser ouvido no meio do barulho da casa noturna. 

“O quê?”, Mariana perguntou perto do ouvido dele. 

Ele riu, a abraçou e a beijou da forma mais piegas possível: ao som de “você é luz, raio, estrela e luar”.

Da festa, foram para a casa de Lucas e a primeira noite de Mari não foi no hostel. 

Foi dividindo a cama com Lucas, suas trezentas almofadas e seu gato amarelo.

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Leia os outros posts da série: 

#1- SOBRE O LENÇOL AZUL-MARINHO
#2 - BUDAPESTE
#3 - A FLOR, A FITA, O SORRISO E O PARQUE

4 - Raio, Estrela e Luar