. 30/10/2018 .
A ideia desse post veio após me debulhar em lágrimas depois de assistir o filme que você saberá qual é se ler esse texto inteiro. 

É menina, aconteceu. A gente lutou, militou, mas não teve jeito - e eu juro que não vou falar de novo sobre isso, não. Na verdade, eu espero que esse post sirva como um escalda-pés com um sachezinho de camomila depois de uma loooonga caminhada. Espero que esse post deixe o seu coração quentinho, a cabeça fresca e que te faça dar aquela longa respirada para enfrentar a próxima.

Dica #1: Cerque-se de pessoas incríveis

Essa é a primeira dica e não é por nenhum acaso, mas sim, porque todas as dicas que eu darei, daqui em diante, foram dicas de outras pessoas pra mim, ou seja, nossos amigos são extremamente importantes para nosso bem-estar (e isso não é nenhuma novidade, né?). Com o tempo, vamos aprendendo que existem laços que duram pra sempre e nem demandam grandes esforços pra isso, enquanto outros vão ficando tão apertados que começam a machucar. O tempo nos mostra que estes, os que machucam, não precisam existir se não nos fazem feliz - e cortá-los não é assim tãaaaao dolorido. Cerque-se de que está perto de pessoas incríveis que estejam aí por você e te faça querer estar lá por elas. Cuide dos seus e tenha certeza de que esteja sendo cuidado também. Laços são as únicas coisas que levamos na vida e, se são daqueles que te dão segurança, trate-os com carinho e amor.

Ilustração: Sara Andreasson

Dica #2: Se desligue da internet com um filme que não fale sobre internet

Essa categoria de filme foi meio específica demais, né? Mas é que com o nosso ~atual momento~, é muito comum os novos filmes falarem sobre celular, apps, redes sociais, etc, afinal, nossos produtos de entretenimento querem gerar identificação e, portanto, retratam cenários verossímeis. Porém, nós estamos exaustas de toda essa informação, de toda essa construção de Instagram e etc, né? Por isso, a minha dica de filme - que foi o filme que acabei de assistir e que foi indicação do meu namorado - vai te deixar longe de tudo isso por 1h30.


Não, não é um filme de uma manic-pixie-dream, não temos mulheres salvando homens medíocres e temos muita fofura

This Beautiful Fantastic (tem na Netflix! Vou facilitar sua vida e já colocar o link, então, é só clicar aqui) é, sem dúvida, a coisa mais fofa que você assistirá nessa semana - sim, eu estou te dizendo isso com certeza em uma terça-feira! - porque a história é fofa, as personagens são delicadamente construídos e, ai, eu vou me privar de colar uma sinopse e dizer que você precisa assistir, pois além de aliviar o peso da nossa existência, é um filme que reforça a dica 1: a importância de criar laços. Em This Beautiful Fantastic, você percebe que, às vezes, esses laços simplesmente são feitos e, quando você menos espera, começa a enxergar a vida de um jeito muito mais bonito.

Dica #3 - Se dê uma boa noite de sono com coisinhas da natureza

To usando esse gif de novo porque ele é perfeito demais para não ser repetido

Olha só você achando que eu indicaria c e r t a s substâncias nesse blog, não é mesmo? hahaha Mas as diquinhas são tão boas quanto e, quem me deram elas, foram minhas fadas da natureza, lá do trabalho. Em dias turbulentos, dormir é bem difícil, por isso, quando for dormir, faça um chazinho (camomila ou cidreira são incríveis) e pingue duas ou três gotinhas de essência de lavanda no seu travesseiro. Se quiser, pingue uma nas mãos, esfregue e cheire. Pronto! Vai dormir delícia! 💜

Dica #4: Fique menos na internet

Eu sei que é difícil, principalmente se você trabalhar com internet, mas que tal você ficar menos no Facebook, por exemplo? O que eu briguei no Facebook nesse período eleitoral, não tá escrito, e hoje entendo que se eu tivesse me poupado, muitas frustrações e dores de cabeça (às vezes, até literais) teriam sido evitadas.

Gif: Dribble.com

Se você definitivamente não consegue ficar offline no horário comercial, tente pelo menos deletar um app. Eu deletei o Facebook e o Messenger, desativei as notificações do Instagram e assim, já tive uma melhora significativa no meu tique de checar-o-celular-de-5-em-5-segundos.

Dica #5: Cuide de você 

Em todos os sentidos possíveis dessa frase. Cuide de sua saúde física (faça exercícios, coma direitinho, beba água), da sua saúde mental (trate-a com todo amor do mundo), da sua pele, dos seus looks... Esse é um momento em que estamos física e mentalmente cansadas e, por consequência, desconectadas de nós mesmas. Essa é a hora de se abraçar, se cuidar, se regar. 
Se estiver machucada, não cobre uma recuperação imediata - entenda que você tem seu tempo para tudo e isso inclui se reerguer. O jogo não acaba se você se afastar da linha de frente para se apoiar em seus joelhos, respirar fundo e recuperar o fôlego. Tá tudo bem ser vulnerável e precisar de um tempo para se cuidar. Desde que você se cuide, tá?

*

Espero que tenha ajudado. Se fucar na partezinha de listas aqui do blog, encontrará várias outras que podem ajudar :)

Uma ótima semana para nós e força ✊🏻🌹.

O maravilhoso guia para você suportar essa semana pós-eleição

. 25/10/2018 .
Era o terceiro ou quarto encontro de Isabela e Catarina. Nenhuma das duas se lembrava exatamente, mas esses mesmos três ou quatro encontros já eram suficientes para que soubessem um pouco sobre as preferências uma da outra. Isabela sabia que Catarina era apaixonada por vinho, louca por música e a melhor companhia para jantar. Catarina já sabia que Isabela preferia drinks doces aos amargos, que não podia comer queijo e que era apaixonada por filmes ruins. Nesse terceiro ou quarto encontro, Catarina levou Isabela para um tradicional bar da cidade. Ele tinha nome de um famoso cantor americano e seu cardápio era uma obra de arte à parte – tal qual seus drinks.

“Olha, esse veio com um biscoito da sorte!”, Isabela disse assim que seu drink chegou. Ele tinha espuma de manga e alguma outra combinação que o deixava levemente amargo, mas ainda delicioso. “O riso é a menor distância entre duas pessoas”, ela leu o bilhete do seu biscoito. Sorriu para Catarina, que retribuiu. “Viu?”, ela brincou.

Ela deu um beijo em seu rosto, fazendo com que ela sorrisse de novo, automaticamente.

“Experimenta o meu. Tá bem forte”, ela disse, colocando sua bebida na frente da garota, que fez uma leve careta ao provar.

“Nossa, tá mesmo. Mais três goles desse e eu já fico alegre”, ela disse rindo, enquanto voltava a beber seu drink e praticamente previa o que aconteceria em menos de duas horas.


Catarina e Isabela tinham o mesmo tom de voz e a mesma timidez disfarçada. Catarina era sete anos mais velha que Isabela, mas ainda tinha um ar de menina levada. Talvez fossem pelas meias coloridas e estampadas que apareciam quase-sem-querer sob a calça jeans. Isabela, apesar de mais nova, tinha uma alma talvez mais velha que a de Catarina. E, de alguma forma, combinavam. Na profissão que dividiam, nos gostos por canais de comédia e na escolha de estampas de camisetas divertidas. Ainda era o terceiro ou quarto encontro, mas já se gostavam.

Mais que isso: gostavam de estar juntas e de suas respectivas companhias.

.

“Eu não acredito que você também estava nesse show. Eu fui sozinha!”,

Isabela perguntou surpresa, já em seu terceiro drink e com um sorriso um pouco mais exagerado que o normal. O batom vinho já estava levemente borrado no canto dos lábios dela - não por causa de um beijo, que ainda era aguardado, mas pelas vezes em que eles dançaram na borda da taça de cristal.

Elas falavam sobre uma banda de post punk islandesa que tinha feito um show recentemente na cidade.


“Nossa, sim! E eu fiquei no fundo, perto do camarote...”, Catarina disse rindo, também. Ela não tinha o semblante bêbado que Isabela começava a criar, mas estava visivelmente feliz, também.

“Meu Deus, eu também! Estávamos muito perto!” ela concluiu, surpresa.

“Tão perto, tão longe...”, brincou. A garota deu um último gole em sua bebida e virou seu corpo para Isabela. “Vamos para um karaokê?”, ela propôs, do nada.

Isabela sorriu ainda mais – como se fosse possível

“É sério?” perguntou animada.

Ela retribuiu a animação.

“Sim, é sério. Vamos?” repetiu.

“Sim, vamos, sim sim sim!” Isabela virou o restante de sua bebida, Catarina pediu a conta e saíram quase que correndo do bar.

O karaokê ficava em outra parte da cidade e, mesmo sendo quase meia noite, isso não serviu de empecilho para mudar o plano traçado de último segundo. As duas estavam animadas demais, bêbadas demais e envolvidas demais para querer que a noite terminasse. Era apenas o terceiro ou quarto encontro, mas já dividiam algo.

Dividiam a vontade de descobrir a noite. Dividiam a sintonia. 

Chegaram no karaokê e pediram a primeira música. O lugar estava cheio de grupos de amigos e não tinha muitos casais por ali. Isabela até se sentiu um pouco tímida com essa constatação, mas Catarina ignorou completamente o fato e pegou o microfone.

“Vamos cantar Marisa Monte?”, ela perguntou rindo.


Isabela adorou a sugestão e fez que sim com a cabeça.

As primeiras notas de “Não Vá Embora" começaram e as duas, rindo alto, começaram a cantar, juntas, a música escolhida, que talvez de um forma não-coincidente, narrava o que as duas sentiam. As luzes coloridas do ambiente se misturavam aos cenários aleatórios que apareciam na tela do karaokê e Isabela poderia lembrar de todo aquele cenário para sempre. As luzes, as fitas no teto, os tons de cor-de-rosa e azul do vestido da menina que as assistia. Catarina cantava firme, mas com muito mais desenvoltura que Isabela, que ainda assimilava tudo o que estava acontecendo naquele encontro.

Elas tinham chegado naquele momento dos bons encontros que se tornam inesquecíveis.
E Isabela sorriu ao perceber isso.

No decorrer da noite, cantaram Everytime. E Total Eclipse of The Heart. E Bring Me To Life, que outro casal estava cantando, mas que elas gritaram tão alto quanto os verdadeiros cantores. Se divertiram como há tempos não divertiam. Isabela, principalmente.


“Você tá se divertindo?”, Catarina perguntou, enquanto olhava no fundo dos olhos dela que, a essa altura, já estavam semicerrados por conta do horário e da bebida.


“Muito. Mesmo”, ela disse pausadamente, antes de dar um beijo na interlocutora.


E ao som de Backstreet Boys, dividindo uma cadeira de tecido vermelho, com cerveja derrubada no chão e sapatos grudando, Isabela percebeu que, naquela noite, estava apaixonada. Por Catarina, pela franja curtinha que estava grudada em sua testa, por seu vestido de guaxinins e pelo jeito com que cantava. Mais que isso. Estava apaixonada pelo jeito com que ela a olhava.


Ela não sabia se o amor perduraria até a próxima manhã. 
Mas, naquele momento, aquele amor, 
ele era o maior do mundo.


Leia os outros posts da série "Amores eternos de um dia":

#1- SOBRE O LENÇOL AZUL-MARINHO
#2 - BUDAPESTE
#3 - A FLOR, A FITA, O SORRISO E O PARQUE
#4 - RAIO, ESTRELA E LUAR
#5- BUENOS AIRES, O TINDER, O PLANETERÁRIO E O MENU CELÍACO


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"Amores Eternos de Um Dia" é o meu primeiro livro e você
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6- Sobre o karaokê

. 22/10/2018 .
Eu sei que ando meio monotemática em minhas redes sociais e que só falo sobre política. Mas hoje, eu juro que vou deixar a militância um pouquinho de lado e não, o assunto não é política. O assunto é peito. Isso mesmo: peito. Seio. Teta.

O sonho da minha vida sempre foi ter peitos. Ganhei meu primeiro sutiã com 11 anos e, definitivamente, eu não precisava dele. Fui começar a ter algo parecido com cerejinhas sob os mamilos só com 12 anos, mas uso sutiã desde os 11. Falam que o primeiro sutiã é importante para a mulher e, por mais que eu queira fugir dos clichês, aqui, me entrego: é mesmo e eu consigo me lembrar, perfeitamente, de como era o meu. Meu primeiro sutiã era xadrez fininho azul, com florzinhas vermelhas, apertado nas costas e folgado nos peitos. Eu lembro que fiz um inferno para minha mãe me dar um sutiã e ela, capricorniana turrona, se negava porque eu não precisava. Quando sua melhor amiga chegou em casa com um pacote prateado, me dizendo que tinha um presente especial para mim, quase chorei. Ignorei o olhar de reprovação da minha mãe e corri vestir meu sutiã.

Agora, só faltam os peitos, eu pensava.
Mas logo eles aparecem, eu me enganava.


Passou um ano e nada dos peitos aparecerem. O máximo que eu tinha eram uns carocinhos que saltavam sob o uniforme, mas ainda eram pequenos demais para o meu amado sutiã. A minha memória mais forte dessa época é que, quando eu brigava com minha irmã, ela vinha direto me bater nos peitinhos porque a dor me fazia urrar e me impossibilitava de revidar o golpe.

Reprodução

As meninas da minha sala já tinham peitos. Pequenos, claro, mas tinham. Eu, tinha o sutiã xadrez. Diante das minhas lamentações, a amiga da minha mãe me disse que se eu tomasse água na concha de feijão, teria peitos grandes. Nunca me senti tão esperançosa e, então, todos os dias daquele ano, eu tomei água na concha. Não, os peitos não vieram. E, talvez por toda essa expectativa, que começou desde quando eu era criança, meus peitos eram as coisas que eu mais detestava em meu corpo. Por muito, muito tempo.

Quando eu tinha 17 anos, tive meu primeiro namorado sério e, naturalmente, os beijos viraram amassos e os amassos permitiam mãos-bobas. Nessa época, já conformada com o fato de que eu não tinha peitos, usava sutiãs de bojo. Mas não é qualquer bojo, cara leitora! Eram praticamente duas almofadas posicionadas abaixo da minha saboneteira. Os motivos eram simples: 1) parecia que eu tinha peitos e 2) eram os únicos sutiãs que serviam em mim, justamente porque eles tinham bojos-bolha. Sendo assim, sempre que as mãos-bobas apareciam acima da minha cintura, eu travava. A ideia do meu namorado encostando no meu sutiã e descobrindo a farsa dos meus não-peitos me tirava o sono e, por isso, todo o meu processo de ~descoberta sexual~ foi lento e um tanto quanto problemático porque eu nunca conseguia relaxar. Tudo isso por causa das tetas.

Minha mãe me falou a coisa mais óbvia do mundo, quando fiz 18 anos e fiquei estável em um emprego (antes disso, eu havia trabalhado com 15 e 16 anos em dois trabalhos informais): junta dinheiro e coloca silicone, oras. E, então, eis o segundo maior sonho da minha vida. O primeiro, era a faculdade, mas eu tinha certeza que conseguiria a bolsa do ProUni, então, meu dinheiro guardado serviria para os tão sonhados peitos. Como a vida não é uma fábrica de realização de desejos, não consegui a bolsa - meu curso tinha muita procura e poucas vagas - e, então, o dinheiro que estava guardando foi para a faculdade. O sonho dos peitos próprios seria adiado por 4 anos, o período da minha graduação. E engana-se quem pensa que, com o tempo, eu desencanei.

Eu tive dois outros relacionamentos e, para eles, meus peitos nunca foram problema. Isso aliviava em 0% a minha paranoia com elas porque o problema não eram os homens. O problema era eu e aqueles malditos peitos que eu esperava crescerem desde que tinha 11 anos de idade. Eu não deixava que eles encostassem neles e sempre, sempre fiz qualquer coisa de luz apagada porque morria de vergonha do meu corpo. E por falar em vergonha, todo verão era uma lástima e todas as vezes em que provava biquíni, eu chorava no provador. Era um inferno e eu não via a hora de me formar para, finalmente, ter dinheiro para colocar silicone. Eu já sabia qual médico, qual tamanho e qual formato eu queria. Eu já me imaginava usando decote em todas as situações possíveis, até em funeral. Eu nasci pra ter peitos grandes, meu corpo que não sabia disso.

Mas a vida é uma caixa de surpresas. No meu último ano da faculdade, fui diagnosticada com TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) e eu, que pesava 50kg e já era bem magra, estava pesando 40kg. Eu era pele, osso e nenhuma autoestima, então, além dos peitos, nada na minha imagem me deixava infeliz. Com algumas sessões de terapia, eu entendi que meu problema era outro e eu precisava lidar com ele, antes de pensar em começar a planejar qualquer intervenção cirúrgica. Eu tinha que me livrar de uma relacionamento abusivo, de reprojetar minha carreira e de voltar a me entender como pessoa.

E eu fiz isso durante um ano inteiro, quando, no final dele, eu me mudei para São Paulo e comecei um novo período da minha vida. O mais importante dela, até então. Comecei a engordar os quilos perdidos e começado uma relação muito mais bonita comigo mesma. O período da TAG + Relacionamento Abusivo fez com que eu esquecesse quem eu era, mas fez com que eu aprendesse a ser mais gentil comigo mesma. E então, comecei a me tratar com carinho. Os peitos até me incomodavam, mas não a ponto de querer parar minha vida para mudá-los. Seria ótimo, claro, mas tudo bem do jeito que estavam: eu estava feliz o suficiente por ter mudado de cidade e por ter engordado 10kg de novo.

Eu queria dizer que foi o autoconhecimento que me fez mudar, mas a redenção veio, mesmo, por causa de uma loja.

Atrelado ao desejo dos peitos, sempre quis lingeries bonitas e nunca pude ter. Na minha cidade, só encontrava modelos que ficavam enormes, a não ser que tivesse bojos imensos. Um dia, despretensiosamente, entrei numa loja (não vou citar o nome porque vai parecer publi e não é haha) e comecei a olhar os sutiãs de renda. A vendedora veio me atender e com uma risada um pouco amarga, eu disse que só estava olhando porque nunca encontrava nada que me servisse. Ela me desafiou e tirou minha medida. "Seu tamanho é o XX [não lembro rs], qual modelo você quer?". Continuei incrédula. Escolhi uns três modelos e, ainda com o sorriso desgostoso, fui ao provador, já preparada para a frustração que sempre aparecia nesses momentos. Mas, naquele dia, serviu. Eu tinha os mesmos peitinhos de sempre, mas tinha, finalmente, encontrado uma loja que me contemplasse.

Eu quase chorei no provador e, dessa vez, não era de tristeza.

Desde que eu encontrei uma loja que tinha me enxergado, a minha relação com meu próprio corpo mudou muito. Nunca estive tão bem e nem tão satisfeita com o que vejo. As tetas deixaram de ser problemas. Elas são minhas e seu tamanho (ou falta de) não me faz mais ou menos mulher. Inclusive, parte nenhuma do nosso corpo nos faz ser mais ou menos mulher, né? Depois desse dia, eu desencanei tanto que quando quero, uso sutiã, quando não quero, fico sem e meu deus, a Michele de 17/18 anos jamais imaginaria que sairia na rua sem sutiã, só com os pesseguinhos à mostra.

Ainda que o nosso sonho (e luta) seja gostar da gente de uma forma pura e legítima, vivemos em uma sociedade capitalista que vende a beleza e o bem-estar, então, ter me sentido vista por uma loja e me sentido contemplada por um modelo, fez com que toda a minha relação com meu corpo mudasse. É problemático o fato de que eu tenha precisado de um produto para isso? Talvez. Mas é compreensível quando analisamos pelo espectro de representatividade e pertencimento. E eu falo isso sendo uma mulher alta, magra e super padrão. Eu nem consigo imaginar o que uma mulher que não tem suas necessidades atendidas por lojas acessíveis, possa sentir com esse cenário.

Então, que sigamos lutando para sermos enxergues em nossos mais singulares e individuais formatos. Que as lojas (grandes ou pequenas) enxerguem essas diferenças e nos atendam, contemplem, abracem. E que tenhamos força e disposição para continuarmos melhorando nossas relações com nós mesmas.

Que a gente aprenda a nos tratar com mais carinho e admirar nossos próprios corpinhos de peito aberto.

Grande ou pequeno :)

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Esse texto saiu, originalmente, na minha newsletter. Nem todos os textos que saem lá, são reproduzidos por aqui, então, clique aqui para se inscrever e receber essa dose semanal de amor na sua caixa de entrada. 

Uma conversa de peito aberto

. 03/10/2018 .
e eu sei também que fui eu quem sumiu, dessa vez.
mas eu tenho meus motivos e eu juro que eles vão além das desculpas que eu sempre uso.
eu sei que você não acredita mais quando eu falo que minha rotina está uma loucura ou que estou com trabalhos demais.

eu sei, eu sei, mas eu juro que é verdade.
80% é, sim.

eu sei que eu não te mando mais nada legal que eu vejo na internet e nem te marco mais em vídeos bonitinhos de bichinhos.
eu sei que passei a demorar mais para responder suas mensagens, mesmo quando eu as respondo mentalmente assim que vejo a notificação.
eu sei que passei a enviar mais frases curtas e menos textões.
mais palavras diretas e menos sílabas alongadas como sempre escrevi.

sei que nossas mensagens estão cheias de pontos finais - e sei também de todas as nossas lacunas.
eu sei delas.
eu sei.

Ilustra: Jeannie Phan

sei que você não entende muito bem o porquê de eu me afastar.
sei que você não acredita mais quando eu tento uma aproximação, depois de um tempo.
sei que você não enxerga meu sumiço como necessidade.
sei que você acha egoísta quando eu não falo sobre meus medos e sobre como eles te envolvem, de alguma forma.

eu sei, é mais forte que eu.

mas ó,
desculpa o sumiço.
desculpa me afastar.

é que eu percebi que estava me misturando demais às suas cores e esquecendo do meu próprio tom.
que estava ouvindo sua música e esquecendo o ritmo que eu realmente sei dançar.

que éramos dois,
quem éramos nós.


é.
eu sei.

da série "textos escritos em outra época da minha vida, que só me senti confortável em postar agora" - esse é de março/18

É, eu sei

. 01/10/2018 .
É muito louco quando a gente para pra entender uma tendência. Ela começa lá atrás, com uma pesquisa feita anos antes do seu estouro, que após uma série de estudos e comparações, nos diz com antecedência o que fará parte de grande parte do nosso consumo. As cores do ano da Pantone não são escolhidas por acaso e as estações não "escolhem" uma paleta de cores aleatoriamente. Tudo é curado, pesquisado e definido com um embasamento que nós, o grande público, às vezes não entendemos. Mas usamos, adotamos e amamos. 

Toda essa introdução foi para falar sobre o amarelo, a minha nova cor favorita para looks. Eu nunca fui apaixonada por amarelo, a cor nunca fez parte do meu armário e de repente (rs) eu me vi obcecada. Encasquetei que queria um moletom mostarda e não tinha cristo que tirasse isso da minha cabeça. Convidei um amigo para fazer uma tour por uns brechós para achar a famosa blusa amarela. Sem surpresa, não encontramos, porque assim como eu, todo mundo estava apaixonado pelo tom.

Coincidência ou trend alert? 

Foi então que me rendi às fast fashions e, enfim, encontrei o lookinho amarelo que eu tanto quis. E a paixonite virou amor e o amor virou textão. Hoje eu fiz um apanhado de lookinhos amarelos - os meus, inclusos - para inspirar você que também está flertando com a cor, mas por algum motivo, ainda não se sentiu à vontade de se jogar nas garras desse amor gostoso. Vem comigo que tem moodboard, lek! ;)


Misturei alguns dos meus looks (você já me segue no instagram? É @michelecontel ♥) com alguns da Rosegal (para ver mais peças, click here ~~) e já dá pra ver que eu tô bem apaixonada pela cor, né?

E vocês? Também foram impactadas?

Beijo beijo e até o próximo post ;* 

Yellow is the new black - um post sobre meu amor por looks amarelos