Search

menu
categories

. 22/01/2019 .
Por um tempo, eu perguntava o porquê.

Por que as coisas aconteciam daquele jeito?
Por que você mudava tanto?
Por que tratava as pessoas que amava daquela forma?

Depois, eu não quis mais saber e me afastei como pude. Por um tempo, a minha presença ainda era necessária (sabe deus por quem), mas a minha atenção já era outra. Me fazia presente porque tinha que fazer, mas tudo o que eu mais queria era estar longe.

E então, depois de anos me sentindo sem voz, eu gritei.
Com um pretexto bobo, encontrei a força para dizer tudo o que sempre quis. E disse. Disse alto. Em meio a lágrimas. Com réplicas agressivas. Mas disse. Sai com um piano a menos nas minhas costas e com a tranquilidade de quem nunca mais precisaria voltar.



Mas veio a culpa. A culpa por me libertar. A culpa por desistir.
Da gente. De você.
De ter algo parecido com o que eu via em filmes e que secretamente eu sonhava com mais força do que sabia ter.

E então, eu tentei te consertar. Não com você, mas tentei te consertar em cada pessoa problemática que eu encontrei nos últimos 10 anos. Sem surpresa, encontrei muitos como você. A aparência física. Os gostos. O cheiro e, principalmente, a forma com que me tratava. Parecia que tinham feito o mesmo curso sobre como lidar comigo e como minar todo o amor que eu tinha por minha própria pessoa. Minaram minha confiança. Meu otimismo. Minha Felicidade.

E, de novo, eu desisti.

Da forma mais difícil eu aprendi que eu não poderia te mudar - nem a você e nem a ninguém. Que pessoas ruins não melhoram se não quiserem e que eu sou boa demais para alguns outros.

Aos poucos, aprendi a lidar com a culpa que ainda sentia por desistir. Por querer apostar em minha felicidade e pela felicidade de quem se sacrificou por mim, de alguma forma. Aprendi a lidar com a culpa que sentia por não querer mais saber. Por querer estar longe, de novo.

De vez em quando, ela aparece. Essa culpa. Mas sei que aos poucos ela muda de forma, ainda que demore um pouco. Ainda que eu tenha certeza de que ela não existe mais e perceba que ela só estava camuflada. Eu sei que logo ela muda e poderei dar outro nome a esse sentimento que vem do nada, mesmo quando eu acredito que ele passou.

Não vejo a hora de chamá-la de redenção.

Carta para você (não) ler

. 05/01/2019 .
Na semana passada, eu fiz aquela corrente no Instagram em que você se propõe a dar conselhos sobre qualquer coisa, para qualquer pessoa. Entre as várias mensagens que recebi, uma delas me chamou a atenção e, sem dar nome aos envolvidos, vou compartilhar aqui na íntegra, afinal, é por causa dela que você está lendo esse texto, hoje. 

A mensagem era a seguinte "Conheci uma pessoa que é incrível. Tem uma boa posição no trabalho, se demonstra interessado, me trata bem, mas...Eu acho que não mereço. É sempre aquela sensação de que não mereço pessoas legais"

Eu não sei você, cara leitora ou leitor, mas eu já vivi muito essa situação. A de que eu não merecia pessoas legais. A de que o drama faz parte de qualquer relacionamento. A de que "se é fácil demais, alguma coisa está errada" e vários outros pensamentos que já estão tão enraizados em nossa mente que parar de focar neles é quase impossível. Pois é. Dias depois, como em um golpe lindo de alinhamento cósmico, na segunda-feira, fui jantar com meu amigo Akira e estávamos falando sobre o meu atual relacionamento. Ele, em tom de piada, me disse a seguinte frase: "Finalmente entendeu o valor que você tem? O que aconteceu que agora você está com alguém que realmente te merece?". Entre risos nervosos e hashizadas (?) de poke, sorri e respondi um tímido "pois é". 

Então, cá estamos.

VOCÊ JÁ VIU O MEU LIVRO "AMORES ETERNOS DE UM DIA"?

Dificilmente esse texto mudará sua vida ou te fará parar de se autossabotar e/ou entender que merece os amores mais lindos do mundo. Mas eu espero que, com ele, você consiga entender que não merece viver só histórias com finais ruins. E que no final, a frase que o professor Bill diz para o Charlie em "As Vantagens de Ser Invisível" é quase a verdade universal que revela o mistério da vida: 
"Nós aceitamos o amor que achamos merecer".

Quando fui responder o tal conselho pedido, na brincadeira que falei ali em cima, lembrei muito do meu próprio processo ao entender quem eu era, o que eu queria e o que eu merecia, de fato em relações amorosas. E adivinha à qual conclusão eu cheguei? Isso mesmo, aquela que a gente lê em 30/30 textos de autoajuda: que o primeiro amor que temos que construir é o amor por nós mesmas. E isso a gente vai conseguir como?

Isso mesmo.
SO-ZI-NHAS.

E o motivo pra isso é o mais simples de todos: é que só depois que entendemos o nosso valor, nossas vontades, os nossos pontos-fortes e aprendemos a lidar com nossos demônios, é que conseguiremos ter discernimento (eu usaria a palavra "paciência", mas vamos colocar discernimento, vai) para encontrar um alguém. É só depois de estabelecer uma relação legal com você mesma que você estará realmente pronta para entrar de cabeça em um namoro.

LEIA TAMBÉM: QUANDO EU DESCOBRI QUE ESTAVA AMANDO

É tão besta, né? Você pode até estar bufando agora, dizendo "eu não acredito que li tudo isso para alguém me dizer, de novo, que se eu não amo a mim mesma, como diabos eu vou amar outra pessoa! Eu assisto RuPaul, sabe?". Mas por mais que a gente diga e repita e diga de novo, a gente esquece que a companhia que a gente mais tem que curtir no mundo, é a nossa. O que vier depois, tem que ser ainda mais incrível que a gente.

E então, a gente entende o que merece.

É um processo longo. Às vezes a gente cruza com uns amores meio bosta. Às vezes a gente dispensa pessoas incríveis. Às vezes a gente só quer entrar num casulo e nunca mais sair... Mas faz parte. Como vi numa tirinha hoje, "estar sozinho é o primeiro passo para nunca mais estar". E é isso mesmo. Quando você aprende a amar sua companhia, você só vai querer se relacionar com alguém que seja tão boa quanto ela, tão incrível quanto você e que não te dê um grão a menos de tudo o que você merece. E vai por mim, você merece todo o amor que tenta dar aos outros.

É só se lembrar de guardar um pouquinho dele pra você :)

Esse texto foi publicado originalmente na minha newsletter - assina aqui - e, para tirar a poeira do blog, reaproveitei. 
Volto logo menos e feliz ano novo pra gente!

Sobre amores meio bosta