Livros lidos em junho

Eu sei que não posto aqui desde o "livros lidos janeiro", mas a vida tem dessas inconsistências, mesmo. Inclusive o fato de só ter terminado livros no Kindle e a foto ser de um livro físico 🙃  mas já dizia o ditado: vamos que vamos. 



As Intermitências da Morte - José Saramago, 2005, 🇵🇹

Foi meu primeiro Saramago e confesso que demorei um pouquinho para me acostumar com o estilo de sua narrativa. Entretanto, o jeito com que ele conduz a história é genial, principalmente no que diz ao relacionamento com o leitor. A parte final é impossível de parar de ler e a forma com que a gente vê a morte (com letra minúscula) é diferente de qualquer outra história do tipo. 

“A filosofia precisa tanto da morte como as religiões, se filosofamos é por saber que morreremos, monsieur de montaigne já tinha dito que filosofar é aprender a morrer.” 

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A Porta no Muro - H.G. Wells, 1906, 🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿

Um conto que em menos de 30 páginas constrói um universo inteiro e te faz refletir sobre seus escapes, escolhas e formas com que enxerga o mundo. Não é por acaso que Wells é considerado o gênio que é.  

“Acho que minha segunda experiência com a porta verde marca o mundo de diferença que existe entre a vida ocupada de um estudante e o lazer infinito de uma criança pequena.”

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O Amanhã Não Está à Venda - Ailton Krenak, 2020, 🇧🇷

Quando Ailton Krenak fala, a gente senta e escuta. Neste caso, lê. Se você já leu o Ideias Para Adiar o Fim do Mundo, vai reconhecer a prosa leve do líder indígena, que nos traz pesadas reflexões com as mais fáceis das palavras. Outro livro rapidinho que vai te deixar pensativo por semanas. 

“Governos burros acham que a economia não pode parar. Mas a economia é uma atividade que os humanos inventaram e que depende de nós. Se os humanos estão em risco, qualquer atividade humana deixa de ter importância.”

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O Capote / O Retrato - Nikolai Gogol, 1842, 🇷🇺

Estava pronta pra uma leitura truncada, difícil, densa. Eu não poderia estar mais errada. Gogol é ácido, sarcástico e dono de uma escrita incrível. Seu realismo fantástico é maravilhoso e suas críticas às estruturas sociais da Rússia são nítidas, mesmo quando ele usa de fantasmas e entidades para fazê-las.

“Como ele sonhava sem parar com seu futuro casaco, este sonho foi para ele um alimento suficiente, embora imaterial. Mais ainda: sua própria existência ganhou em importância.” 


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